Críticas à China persistem, Berlusconi também na berlinda

A Feira do Livro de Frankfurt prosseguiu hoje sob o signo dos debates políticos, e desta vez não foi apenas o país convidado de honra, a China, a estar no centro das atenções, mas também a Itália.

O escritor italiano Claudio Magris, que no domingo receberá, na Igreja de S. Paulo, em Frankfurt, o Prémio da Paz da Associação Alemã dos Editores e Livreiros, a mais alta distinção associada ao certame, criticou a "política pop" no seu país, sob a liderança de Silvio Berlusconi.

Magris afirmou que em Itália, e também na França de Nicolas Sarkozy, a política "já não respeita as regras clássicas da democracia, porque em democracia é impensável não reconhecer o Tribunal Constitucional", disse o escritor, de 70 anos, aludindo aos recentes acontecimentos no seu país, onde o Supremo resolveu levantar a imunidade ao primeiro-ministro, decisão que Berlusconi criticou duramente.

O actor alemão Ralf Bauer, por seu turno, intercedeu a favor do povo do Tibete, e o Prémio Nobel da Literatura de 1999, Guenter Grass, no dia em que completou 82 anos, leu passagens do seu famoso romance "O Tambor", apresentado há 50 anos na Feira do Livro de Frankfurt.

Bauer afirmou que o Tibete "é um exemplo para todas as injustiças do mundo", durante a apresentação de um livro da autora tibetana Tsering Woesser sobre os violentos confrontos entre manifestantes desta minoria étnica e soldados chineses, na Primavera de 2008.

O livro chama-se "Vocês têm As Espingardas, Eu Tenho Uma Caneta", e é a única publicação sobre os referidos acontecimentos, sublinhou o presidente da Iniciativa Alemã em favor do Tibete, Wolfgang Graber.

Em pleno debate sobre os direitos humanos, a delegação oficial chinesa rejeitou acusações de que os seus representantes se recusam a dar entrevistas à imprensa ocidental.

"Não há nenhuma proibição de falar", disse Frank Woellstein, da Agência WBCO, que Pequim encarregou de fazer o trablho de relações públicas na Feira.

"os boatos são um misto de más interpretações e preconceitos", alegou  Woellstein, depois de vários jornalistas se terem queixado de verem desmarcadas à última hora entrevistas já combinadas, ou de os responsáveis da delegação chinesa se remeterem sistematicamente ao silêncio.

A Feira, que até domingo deverá registar cerca de 300 mil visitantes, abriu hoje pela primeira vez ao grande público, depois de os dois primeiros dias terem sido reservados a profissionais do sector.

Na edição deste ano do maior certame mundial do género estão mais de sete mil expositores de cerca de 100 países, entre os quais Portugal, e trouxeram consigo mais de 400 mil títulos, dos quais 124 mil novas edições.

Pela primeira vez na história da Feira, um dos temas dominantes tem sido a digitalização de livros e a sua disponibilização na Internet, um segmento com peso económico cada vez maior no mercado livreiro.

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