Apresentado último livro de Urbano Tavares Rodrigues

"Nenhuma vida", o último livro de Urbano Tavares Rodrigues, falecido em agosto, é apresentado em Lisboa, na sexta-feira, no dia em que o autor completaria 90 anos.

A apresentação está prevista para as 18:30, na Livraria Buchholz, em Lisboa, na qual o ator e escritor André Gago irá ler excertos de "Nenhuma Vida", que o autor subintitulou de "breve romance".

No prefácio, Urbano Tavares Rodrigues afirma que escreveu "apaixonadamente este curto romance num verão bastante fresco".

"Escrevi-o com amor à palavra e à invenção verbal de toda a minha obra", afirma Tavares Rodrigues.

Considerando que não lhe compete a ele julgar o romance, refere todavia que "é um texto algumas vezes duro e agressivo, mas onde também têm cabimento a ternura e o amor, que são o esplendor da vida".

"Quem escrever bem de verdade pode abordar, sem cair na mediocridade, questões socais e políticas e, inclusive, a gesta épica da luta pelo socialismo e pelo comunismo", afirma o autor que, na altura, sentia já que não viveria mais tempo e passa assim testemunhos às gerações mais novas.

"Já não tenho tempo de vida para me arrojar a esse cometimento e basta-me sonhá-lo", afirma.

"Daqui me vou despedindo, pouco a pouco, lutando com a minha angústia e vencendo-a, dizendo um maravilhado adeus à água fresca do mar e dos rios onde nadei, ao perfume das flores e das crianças, e à beleza das mulheres", afirma o autor, acreditando que "um cravo vermelho e a bandeira" do Partido Comunista Português o acompanharão "e tudo será luz".

"Nenhuma vida" sucede a "A Imensa Boca Dessa Angústia e Outras Histórias", editado em abril passado.

Entre cerca dos cem títulos que Urbano Tavares Rodrigues publicou, em mais de 60 anos de carreira literária, destacam-se "Bastardos do Sol", "Dissolução", "Estrada de morrer", "Agosto no Cairo: 1956", "O Tema da Morte na Moderna Poesia Portuguesa" - integrado depois em "O Tema da Morte: Ensaios" -, "O Algarve na Obra de Teixeira Gomes", "A Saudade na Poesia Portuguesa", "A Natureza do Ato Criador", "O último dia e o primeiro", "Contos da solidão", "Os insubmissos", "Tempo de cinzas", "Torres Milenários", "Bastardos do Sol", "O Algarve em poema" e "Os Cadernos Secretos do Prior do Crato".

Tavares Rodrigues recebeu variados galardões literários, nomeadamente o Prémio Ricardo Malheiros, por "Uma Pedrada no Charco", e ainda os prémios da Associação Internacional de Críticos Literários, da Imprensa Cultural, Vida Literária e o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco da Associação Portuguesa de Escritores.

Urbano Tavares Rodrigues escreveu em diversas revistas e jornais, designadamente no Bulletin des Études Portugaises, na revista Colóquio-Letras, no Jornal de Letras, na Vértice, no Nouvel Observateur, entre outros. Foi diretor da revista Europa e crítico de teatro nos jornais O Século e Diário de Lisboa.

Urbano Tavares Rodrigues, por razões políticas, foi impedido de lecionar em Portugal, tendo-se exilado no estrangeiro. Desempenhou, entre outras funções, as de leitor de português nas universidades francesas de Montpellier, Aix e na Sorbonne, em Paris.

Após o 25 de Abril de 1974, que instaurou a liberdade de expressão e a democracia em Portugal, regressou ao país. Em 1984 doutorou-se em Literatura, com uma tese sobre a obra de Manuel Teixeira Gomes. Em 1993 jubilou-se como professor catedrático.

Desempenhou também funções docentes na Universidade Autónoma de Lisboa e foi membro das Academias de Ciências de Lisboa e Brasileira de Letras.

O escritor morreu no dia 09 de agosto, na sua residência em Lisboa, cidade onde nasceu há 90 anos.

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