"Lisboa, Lisboa", do palco do Festival da Canção para as ruas da cidade

Kalaf e Sara Tavares compuseram o hino das Festas da Cidade. E todos os dias, às 21.00, vai soar na Fonte Monumental, um dos destaques da vasta programação que a partir de hoje e até 1 de julho vai animar a capital

Há canções que ganham novas vidas. Novas cores e (re)misturas. Novas formas de contar a história. Lisboa, Lisboa é uma canção com várias peles que nasceu de uma experiência em rascunho, passa pelo Festival da Canção, e não fica na gaveta. A EGEAC resgata-a para ser o hino das Festas de Lisboa 16, por tantas e muitas razões, mas sobretudo porque espelha a grande casa, cosmopolita e aberta, que Lisboa é. E porque "Lisboa é minha, é tua, é de todo o mundo", assim se pretende celebrar as festas de todos e para todos, a partir de amanhã e até 1 de julho, com extensa programação.

Quem conta a história da canção que vai encher o coração da cidade são os seus compositores, neste caso, Sara Tavares e Kalaf Ângelo, com Rita Seidi na voz. Amigos há muitos anos e parceiros de criação musical, sentem-se honrados com o convite da EGEAC e ambos concordam que este é um hino de celebração da mestiçagem da capital. "O hino mostra o quão Lisboa é verdadeiramente diversificada e multicultural. Acho que faz muito mais sentido como hino das festas da cidade do que como música do Festival da Canção. É muito mais abrangente e atual. É a prova de que as canções podem ter muitas vidas, isso dá-me muito prazer."

Sara Tavares revela que há uns tempos, antes de Lisboa estar na moda, já se sentava a falar com o amigo Kalaf sobre o quanto se devia comunicar e celebrar esta abertura de Lisboa ao mundo. "Já há muitos anos que fazemos muito uma espécie de política cultural de Lisboa, nós sempre sentimos que Lisboa é uma mistura, que se devia celebrar essa mistura, comunicá-la, eu com a minha banda ia fazendo esse trabalho e o Kalaf noutro métier, da música eletrónica, mas de parte a parte, sempre partilhámos o que não era (ainda) assumido, e houve também alguns guerreiros por aí que não tiveram medo de arriscar!"

E tal como o fluir da grande amizade que os une, também a letra de Lisboa, Lisboa, foi indo na corrente, devagarinho, adaptada à nova realidade de Lisboa turística e a Lisboa das minorias étnicas, que também, segundo Sara Tavares, torna a cidade grande. "É aquela coisa de ser um lugar turístico, mas de se poder vender Lisboa numa lata, com muita lata, é no fundo um trocadilho, com o made in China, os chineses que vendem tudo mas que já fazem parte da vida da cidade, estão a mudá-la, também os indianos, todos incutem cosmopolitismo à cidade", sublinha.

Voltando à letra, Sara conta que houve algumas mudanças, mas o espírito está lá. "A letra era, no início, muito mais paródia, depois mudámos, a parte do "Lisboa tem lata", é preciso ter muita lata para se ser português, ir ultrapassando os obstáculos e fazer-se cultura, num país pequenino, com um budget pequenino, é quase zero, a letra passa esta ideia de empreitada individual, que assenta que nem uma luva na voz da Rita!"

Depois de dar nas vistas no The Voice Portugal, em 2014, foi para ela que Sara Tavares e Kalaf escreveram a música que Rita defendeu no Festival da Canção em 2015.

A intérprete de Lisboa, Lisboa, 18 anos, natural de Albufeira, habituada a crescer numa grande diversidade musical, desde o fado à música dos tops da rádio, e às festas em casa, com sons angolanos, cabo-verdianos e guineenses, confessa que nunca pensou cantar o hino da capital mas que é uma honra poder entoá-lo, numa cidade que também sente como sua e onde agora vive.

"É um sonho concretizado, é um prazer. Esta música descreve o que é agora Lisboa, multirracial, multicultural e não só. Também a sinto como minha, no fundo, nossa, de todo o mundo", diz.

A música, daquelas que ficam no ouvido, vai fazer ouvir-se todos os dias de junho, às 21.00, na Fonte Monumental da Praça do Império, em Belém, juntamente com efeitos especiais de luz e água.

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