"Leonard Cohen é um enorme poeta das canções"

Miguel Guedes e Samuel Úria falam ao DN sobre o espetáculo de homenagem a Leonard Cohen no qual vão partilhar o palco com Jorge Palma, David Fonseca, Márcia e Mazgani.

David Fonseca, Jorge Palma, Márcia, Mazgani, Miguel Guedes e Samuel Úria juntam-se em palco para interpretar e homenagear a música de Leonard Cohen, num concerto em que serão acompanhados por um coletivo de músicos formado por Pedro Vidal (diretor musical) nas guitarras, João Correia na bateria, Nuno Lucas no baixo, Rúben Alves nas teclas e Paulo Ramos e Orlanda Guilande nos coros. "Mais do que um tributo, é uma celebração da vida" do músico e cantor canadiano, falecido a 7 de novembro do ano passado, como sublinham ao DN Miguel Guedes e Samuel Úria, dois dos cantores participantes nesta minidigressão, realizada com o apoio da Embaixada do Canadá em Portugal. O primeiro espetáculo realiza-se já hoje, no Centro Olga Cadaval, em Sintra, no preciso dia em que Leonard Cohen faria 83 anos.

Como é que surgiu a ideia deste espetáculo?

Miguel Guedes - A origem e a história deste espetáculo é um pouco misteriosa, mas até tem mais piada assim. Fui simplesmente contactado pelos promotores, que me disseram que tinham a ideia de juntar gente muito diversa, mas que tivesse o Leonard Cohen como referência e que conseguisse dar à sua música um lado mais alternativo e pessoal. Agradou-me muito a ideia e respondei logo que sim.

Samuel Úria - Eu, pelo contrário, fiquei um pouco reticente quando recebi o convite, porque fico sempre de pé atrás com estas homenagens póstumas, especialmente quando se trata de um artista como o Cohen de quem eu sempre me senti tão próximo. Mas depois percebi do que se tratava, de quem ia participar e aceitei logo, até porque já há algum tempo que andava a fazer algumas homenagens oficiosas ao Cohen nos meus espetáculos. Sei que a ideia partiu da malta que toca com o Jorge Palma e pouco mais, mas isso pouco importa.

Como é que se processou a escolha dos temas que cada um vai cantar?

M.G. - Foi uma autêntica correria às canções, como seria de esperar. Houve algumas ultrapassagens perigosas, mas também houve muitas cedências por parte de todos. Acima de tudo acabou por ser um exercício muito democrático de partilha. No meu caso e apesar de me ter comprometido a não revelar as canções escolhidas, para não estragar o efeito surpresa, posso dizer que todas elas se trata de grandes clássicos.

S.U. - Mandei uma lista inicial com a minha escolha, como todos nós, e depois houve uma divisão por todos. No meu caso, tentei fugir dos sucessos mais óbvios, mas apenas escolhi algumas das minhas canções favoritas do Cohen, que não são assim tão conhecidas. Não creio no entanto que isso seja o mais importante, até porque não conheço qualquer letra do Cohen que não seja maior que o mundo.

Com que idade e em que circunstâncias conheceram a música de Leonard Cohen?

M.G. - Comecei a ouvi-lo muito cedo, porque era um dos discos que a minha tia Maria José costumava colocar a tocar, na sua casa da Cedofeita, quando a íamos visitar. É uma memória muito terna, pelas recordações familiares, mas também pela forma como aquela voz me tocava, apesar de eu ser ainda tão novo. Vai ser muito bom poder viver isso tudo de novo, neste espetáculo.

S.U. - Em Tondela, na cidade onde eu cresci, sempre houve um certo culto pela figura dos cantautores e o Leonard Cohen era uma espécie de figura maior entre todos eles. Foi nessa altura que conheci as músicas que vou cantar no espetáculo.

De que modo é que a obra de Leonard Cohen acabou por influenciar a vossa própria maneira de fazer música?

M.G. - Influenciou-me muito, tal como o Bob Dylan ou o Bruce Springsteen, que também são referências muito fortes. Foi com as suas canções que aprendi inglês, apenas para poder tentar cantar assim, como eles. É portanto um privilégio poder hoje estar neste espetáculo, a cantar Leonard Cohen para as pessoas, dando o meu cunho pessoal às suas músicas.

S.U. - No fim da minha adolescência a reverência que eu sentia pelo Leonard Cohen transformou-o numa referência quando eu próprio comecei a escrever. Mas depressa percebi que ele era um semideus inalcançável em termos poéticos, mas não só, porque a própria parte musical, apesar de muitas vezes desvalorizada, também é excecional. Acima de tudo, o Leonard Cohen é um enorme poeta das canções, um dos maiores, e é precisamente isso que se pretende celebrar neste espetáculo.

Informação útil

As canções de Leonard Cohen

Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra.

Hoje, às 21.30. Bilhetes: entre 20euro e 30euro

Casa da Música, Porto.

27 de setembro, quarta-feira, 21.30. 25euro

Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz. 29 de setembro, sexta-feira 21.30. 20euro

Cine-Teatro Louletano, Loulé. 10 de outubro, terça-feira, 21.00. 25euro

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