Lenine: o nome da revolução musical

O músico brasileiro regressa a Portugal com todas as cantigas. É hoje às 21.00 no CCB, em Lisboa

Parecia uma conspiração interestadual para estilhaçar os formatos já solidificados da música popular brasileira - a última década do século XX abria salas e cartazes, disco e reuniões de um maranhense, Zeca Baleiro, de um paraibano, Chico César, de um baiano, Carlinhos Brown, de um carioca, Paulinho Moska, de um paulista, Arnaldo Antunes (com passado coletivo nos Titãs), e de um pernambucano ostensivamente chamado Lenine, cujo pai fez, assim, questão de homenagear o líder bolchevique. A par, chegaram as meninas, outra carioca, Marisa Monte, e uma vinda do Rio Grande do Sul, Adriana Calcanhotto. De norte a sul, esta conjunção cósmica permitiu fugir, e em alta, ao que separava rock brasileiro e MPB, tradição e modernidade, desenhando misturas e miscigenações estéticas cada vez mais intensas. Hoje, todos fazem parte da lista seleta de consagrados e ativos. Hoje, Oswaldo Lenine Macedo Pimentel, nascido no Recife a 2 de fevereiro de 1959, merece ser reconhecido como o ponta-de-lança deste dream team que desfez preconceitos e acrescentou uma nova e revigorante ala ao edifício da música do Brasil.

Num percurso sem faltas, desde o distante Baque Solto (1983), gravado em parceria com o conterrâneo pernambucano Lula Queiroga, Lenine começou por ganhar os galões de compositor - honra a Elba Ramalho, a primeira a gravar uma canção deste autor, que haveria de desdobrar-se pelos reportórios de Milton Nascimento e Fernanda Abreu, Gilberto Gil e O Rappa, Maria Rita e Maria Bethânia, entre outros. Depois de mais uma aventura partilhada, dessa vez com o percussionista Marcos Suzano, Olho de Peixe (1993), Lenine cumpriu o seu grande salto em frente com O Dia em Que Faremos Contato (1997), disco que além de incluir algumas das suas canções eternas, casos de Hoje Eu Quero Sair Só ou A Ponte, definia os parâmetros de uma sonoridade que dispensaria revisões periódicas.

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