Jude Law e Colin Firth, galãs intelectuais na Berlinale

Elenco de peso para mais uma desilusão da competição Genius: Jude Law, Colin Firth e Nicole Kidman, que nem foi a Berlim

É um número de vaidade para os atores - Jude Law e Colin Firth a interpretarem grandes vultos da Literatura americana, o escritor Thomas Wolfe e o editor Max Perkins. Michael Grandage, nome maior do teatro britânico, encenador muito premiado, dirige-os sem ideias de teatro (não está aqui um novo Sam Mendes, que antes de chegar a Beleza Americana era o encenador da moda em Londres) mas sem os defender de um daqueles registos de exibicionismo. Law como Wolfe parece mesmo um glutão na figuração da exuberância do escritor. Em muito anos a representar para cinema nunca o vimos "tão ao lado".

Genius, que é assim outra deceção na Competição, acompanha o encontro entre o editor e o escritor nos anos 30, depois de Perkins ter editado os grandes clássicos de F. Scott Fitzgerald e Hemingway pela editora Scribner. Uma relação profissional que se tornou numa amizade improvável: Perkins era um homem de família e caseiro; Wolfe, um playboy com hábitos imundos e um ego do tamanho do mundo. Pelo meio, as mulheres, a de Perkins, Louise (interpretada com galhardia por Laura Linney) e a encenadora Aline Bernstein (Nicole Kidman), são deixadas para trás pelo entusiasmo literário deles.

Adaptado de um livro biográfico A. S. Berg, Genius faz tudo menos jus ao nome. É a típica "história verdadeira" atinadíssima e com um convencionalismo exasperante. Mesmo os diálogos, escritos com uma elevação emocional por John Logan (um dos argumentistas de lista A em Hollywood e dramaturgo) são escritos sem fulgor. Apetece dizer: um filme que não abre o livro e que aposta sempre numa fórmula descritiva com muito xarope.

Também na onda dos biopics chegou à competição Alone in Berlin, de Vincent Perez, baseado no livro de Hans Fallada, sobre um casal herói da Alemanha nazi, os Quangel, autores de uma série de cartões de propaganda anti-Hitler que foram distribuídos nas ruas de Berlim durante anos para raiva das autoridades.

Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG