Xutos & Pontapés e Paulo de Carvalho juntos nos 40 anos da Festa do Avante!

Este ano o lema é "Mais espaço, Mais festa" e a edição é marcada pelo aumento do recinto em seis hectares

A 40.ª Festa do Avante!, organizada pelo PCP, decorre de 2 a 4 de setembro, na Amora, Seixal, com mais seis hectares de espaço onde, entre muitos concertos, Xutos & Pontapés e Paulo de Carvalho se juntam em palco.

Sob o lema "Mais Espaço, Mais Festa", o PCP volta a organizar o evento que reúne, durante três dias, política, cultura, desporto e solidariedade, sendo esta edição marcada pelo aumento do recinto ao terem sido anexados seis hectares da Quinta do Cabo ao tradicional espaço da Quinta da Atalaia, na Amora, concelho do Seixal, distrito de Setúbal.

Em conferência de imprensa no espaço onde já decorrem as montagens das estruturas, Alexandre Araújo, do secretariado do Comité Central do PCP, considerou que "este ano a festa fica indelevelmente marcada por essa decisão de alargar o seu espaço, com a aquisição da Quinta do Cabo".

"São mais seis hectares de Festa do Avante!, não apenas para termos mais espaço, mas para termos mais festa, melhores condições para receber os muitos milhares de visitantes, para garantir novos polos de atração", explicou.

Rúben de Carvalho, do Comité Central do PCP, destacou a "abrangência do programa" da festa "da juventude, do trabalho, do Portugal de Abril, de solidariedade", com atividades que vão desde promover livros, fazer debates, projetar cinema ou fazer espetáculos musicais, com uma "vastidão de áreas culturais e artísticas, o que é invulgar em qualquer iniciativa deste género".

"À semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, muitos artistas têm preparado presenças especiais e espetáculos especiais para a Festa do Avante!, o que não só enriquece a festa como lhe dá um cunho de originalidade na sua programação, revelando o carinho e o interesse que a festa desperta não só junto do público, como junto dos artistas", explicou Rúben de Carvalho.

Exemplo disto mesmo foi o convite que a banda Xutos e Pontapés fizeram ao cantor Paulo de Carvalho para se juntarem em palco, concerto que está marcado para o último dia, domingo, 04 de setembro, às 21:30, no mesmo dia em que atuam Sérgio Godinho & Jorge Palma e decorre o comício com o discurso do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

"É uma maneira de dar uma prenda à festa, matar um velho desejo de fã, que é tocar com o Paulo de Carvalho e depois ir buscar uma música emblemática também para o 25 de Abril. Não é uma música qualquer. Isto tudo começa por uma vontade de tocar com o Paulo de Carvalho o 'E Depois do Adeus'", explicou Tim, vocalista da banda, aos jornalistas.

Paulo de Carvalho foi perentório: "a festa, para mim e para os Xutos, já é uma festa".

"Acho que vai ser muito bom estar aqui, nos 40 anos desta festa que eu conheço desde o princípio, desde a FIL, em 1975, onde atuei", recordou.

Para Paulo de Carvalho, "tudo é política, pode é não ser política partidária, mas política tudo é".

"Eu penso que o PCP tem assumido responsabilidades no decorrer dos anos. Às vezes até acusado de fazer sempre a mesma coisa. Eu não me importo, há alguma coerência nisso", defendeu.

Na música, destaque ainda para a abertura da festa, na sexta-feira, dia 02 de setembro, com um "Concerto Sinfónico para um Glorioso Aniversário" da Orquestra Sinfonietta de Lisboa, para além das atuações, ao longo de todo o evento, de Ana Moura, Marta Ren, Katia Guerreiro, Diabo na Cruz, Ferro Gaita, Criolo, Jafumega ou os mexicanos Los de Abajo.

Durante a Festa do Avante! há ainda espaço para o desporto -- com uma corrida de 10,2 quilómetros ou uma caminhada de seis quilómetros no domingo -- teatro, artes plásticas, atividades para crianças, festa do livro e do disco e gastronomia e artesanato.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.

Premium

Adriano Moreira

Entre a arrogância e o risco

Quando foi assinada a paz, pondo fim à guerra de 1914-1918, consta que um general do Estado-Maior Alemão terá dito que não se tratava de um tratado de paz mas sim de um armistício para 20 anos. Dito ou criado pelo comentarismo que rodeia sempre acontecimentos desta natureza, o facto é que 20 anos depois tivemos a guerra de 1939-1945. O infeliz Stefan Zweig, que pareceu antever a crise de que o Brasil parece decidido a ensaiar um remédio mal explicado para aquela em que se encontra, escreveu no seu diário, em 3 de setembro de 1939, que a nova guerra seria "mil vezes pior do que em 1914".