Wolvarina, Spider Mané e outros tugas super-heróis

O embaixador dos EUA desafiou e 18 artistas responderam: juntaram a América e Portugal em cartoon

Quando em abril recebeu o convite do embaixador dos EUA em Portugal para criar uma banda desenhada que juntasse as culturas americana e portuguesa com personagens dos comics, Penim Loureiro tratou de pensar em como "fugir aos lugares comuns". Como "pôr um super-herói a sobrevoar os Jerónimos ou a assar sardinhas". Este professor de Engenharia Civil do ISEL procurava "algo de construído ou físico que tivesse algo de cultura de super-heróis". E chegou ao Padrão dos Descobrimentos. Tratou, depois, de transfigurar os descobridores (do lado Este) em super-heróis, com Batman no lugar do Infante D. Henrique, de caravela na mão (e o Super-Homem no de Pedro Álvares Cabral). É o desenho preferido do embaixador Sherman, diz Lawrence Klein.

"Achei que [o Padrão dos Descobrimentos] era meio caminho para transformar em cultura dos EUA. [As figuras] são muito peito feito, têm pouco de humanos, mas por outro lado levam a sonhar", diz Penim Loureiro, de 52 anos. O autor de BD refere que o monumento "é uma mistificação das personagens representadas numa determinada época, os anos 30, em que o regime tentava tornar esses heróis inalcançáveis".

Super Mané

Super-Homem e Tarzan fadistas

Lawrence Klein, o comissário desta exposição inserida no Amadora BD, Lisbon Calling (patente no Recreios da Amadora desde ontem depois de inicialmente prevista para a LxFactory, em Lisboa), não tem dúvidas de que os desenhos criados pelos 18 autores comunicam bem do outro lado do oceano. "São uma excelente oportunidade para ensinar. Por exemplo, alguém que não conheça fado, mas veja um belo desenho do Super-Homem ou do Tarzan a cantar o fado, vai interessar-se e procurar saber o que é o fado". Super-Homem fadista? Foi a resposta de Osvaldo Medina ao repto do embaixador. "Pensei qual a melhor marca cultural portuguesa? O fado. Qual o principal super-herói? O Super-Homem". Medina assume que foi "pelo caminho quase óbvio" e pôs o herói numa casa de fados castiça, de peito cheio, acompanhado à guitarra e à viola com uma garrafa de tinto sobre a mesa - com certeza.

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