Veneza 2017: Matt Damon, George Clooney e mais Matt Damon

A 74.ª edição do festival tem alguns títulos de encher o olho mas os portugueses estão fora da passadeira vermelha italiana

Mais um ano em que o cinema português não chega ao Lido. O mais idoso dos festivais de classe A não selecionou nenhuma obra portuguesa, isto numa fase em que o cinema português tem marcado sempre presença, com curtas ou com longas, nos principais festivais. Quando não se encontra nenhuma obra portuguesa, por estes dias, até se estranha.

Alberto Barbera, o diretor executivo de Veneza, apresentou ontem a lista dos filmes que concorrem para o Leão de Ouro, dois dias depois de o Toronto International Film Festival ter feito o mesmo. São listas com títulos fortes e cada um dos festivais parece ter trunfos sonantes mas sente-se que Toronto parece estar mais embalado na suposta pré-corrida à temporada dos prémios de 2018 - não é por acaso que já tem a alcunha do festival pré-Óscar.

De Veneza há que realçar os pontas-de-lança americanos, a começar com o filme de abertura, Downsizing, de Alexander Payne, uma sátira com Matt Damon, Kristen Wiig e Joaquim de Almeida (participação mínima mas que não deixa de ser notável). Espera-se também muito de Mother!, o novo Darren Aranofsky, com Jennifer Lawrence (ainda estreia por cá este ano) e Suburbicon, de George Clooney, a partir de um velho argumento dos Coen e com Matt Damon como protagonista.

A corrida ao ouro em Veneza inclui ainda dois documentários que vão criar expectativa: Ex Libris: New York Public Library, do veterano Frederick Wiseman, e um olhar pela crise dos refugiados pelo genial artista chinês Ai Weiwei, Human Flow.

Curioso também caber em competição oficial uma fantasia de terror, The Shape of Water, do mexicano Guillermo del Toro, cada vez mais a servir como alternativa de Tim Burton no panorama de Hollywood. Igualmente a filmar em língua inglesa, encontramos o italiano Paolo Virzi, The Leisure Seeker, mais uma oportunidade para Helen Mirren voltar a vencer o prémio de interpretação feminina (venceu em 2006 com A Rainha).

De França, a atração é o novo de Abdellatif Kechiche, Mektoub My Love: Canto Uno, o sucessor de A Vida de Adèle, Palma de Ouro em Cannes. Trata-se de um projeto que terá uma sequela, talvez pronta para Berlim ou Cannes.

Fora de competição, salta ao olho a escolha do novo de Fernando León de Aranoa, Loving Pablo, com o casal Javier Bardem e Penélope Cruz, um olhar sobre Pablo Escobar a partir do livro de Virginia Vallejo. Uma produção americana feita por espanhóis. Também com o mesmo estatuto, Veneza vai receber um habitué do festival, Stephen Frears, com Victoria e Abdul, com Judi Dench mais uma vez na pele da rainha Vitória.

Em relação a Toronto, o festival dirigido por Piers Handling vai ter obras aguardadas que nitidamente foram roubadas a Veneza, como, por exemplo, A Hora Mais Negra, de Joe Wright, o tal filme que poderá dar a glória a Gary Oldman, que se transforma literalmente em Churchill (em Portugal só chega em 2018) ou Kings, de Deniz Gamze Ergüven, com Daniel Craig (um dos títulos que se fala para a tal temporada dos prémios).

Pelo TIFF haverá também uma red carpet mais forte: Battle of Sexes (Valerie Faris e Jonathan Dayton) traz Steve Carell e Emma Stone, First They Killed My Father, de Angelina Jolie; Stronger (David Gordon Green) tem Jake Gyllenhaal; o remake de Amigos Improváveis (que ainda não tem título e é de Neil Burger) traz a dupla Kevin Hart e Bryan Cranston; e ainda The Mountain Beteween Us (Hany Abu-Assad), Kate Winslet e Idris Elba.

O Festival de Cinema de Toronto começa no dia 6 de setembro, enquanto o de Veneza arranca a 30 de agosto.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.