Patrícia de Melo Moreira diz que devia haver mais mulheres no fotojornalismo

A fotojornalista da agência France-Presse (AFP) Patrícia de Melo Moreira, que venceu hoje o prémio Estação Imagem 2018, considera que ter sido a primeira mulher a ganhar o prémio principal significa que devia haver mais mulheres no fotojornalismo.

Patrícia de Melo Moreira, 34 anos, há 18 na profissão, arrecadou hoje o prémio máximo do Estação Imagem, com o trabalho "Verão Negro", sobre os incêndios que fustigaram o país durante o verão do ano passado.

Ser a primeira mulher a arrecadar o principal prémio do concurso, que vai na sua 9.ª edição, "significa que deve haver mais mulheres no fotojornalismo", disse à agência Lusa a fotojornalista, que trabalha há oito anos para a AFP, em Portugal.

"O prémio Estação Imagem já existe há alguns anos e ser a primeira mulher, só agora, a ganhar o prémio principal, quer dizer alguma coisa. Das duas uma: ou as mulheres não estão a receber incentivos suficientes para estarem no fotojornalismo e para fazerem os seus projetos, ou então também quer dizer que as mulheres têm de concorrer mais, participar mais, serem mais confiantes e terem mais proatividade para participarem, seja nos concursos seja no fotojornalismo", afirmou.

Para Patrícia de Melo Moreira, o fotojornalismo está "bem de saúde, a nível de qualidade", no entanto, notou, a profissão não é "reconhecida pelos meios de comunicação", especialmente em Portugal, criticando a precariedade que afeta o setor.

"Tem de haver reconhecimento do trabalho jornalístico, que é bastante importante para todos, não só para a comunicação social. Um jornalismo de qualidade é importante para toda a população", vincou a fotojornalista que, no discurso de aceitação do prémio, mostrou a sua revolta pelo "sistema precário" que se instalou, estando a trabalhar há oito anos para a AFP a recibo verde.

Durante o discurso, Patrícia de Melo Moreira referiu que a precariedade leva a uma "vida de incerteza e instabilidade".

O presidente do júri do Estação Imagem, Santiago Lyon, antigo diretor de fotografia da agência de notícias norte-americana Associated Press, disse por seu lado que, "hoje em dia, o fotojornalismo está numa crise".

"Não acho que seja catastrófico, mas está em constante mudança e é difícil para os fotógrafos e fotojornalistas encontrar trabalho e, em muitos casos, o trabalho e o dinheiro vêm do setor comercial", constatou.

Apesar disso, Santiago Lyon mostra-se confiante relativamente ao futuro, acreditando que a tecnologia que hoje existe para contar histórias "é poderosa e as pessoas têm um apetite para compreender o mundo através de histórias visuais".

Questionado pela Lusa, o presidente do júri do Estação Imagem considerou que as fotografias de Patrícia de Melo Moreira, em torno dos fogos de 2017, captaram "o drama" dos incêndios, num trabalho "muito urgente e poderoso".

Sobre o fotojornalismo em Portugal, Santiago Lyon mostrou-se "impressionado com a qualidade do trabalho" dos fotógrafos portugueses que, em qualquer temática, apresentaram fotografias "de classe mundial".

No júri do concurso deste ano estiveram também os fotojornalistas Sara Naomi Lewkowicz, Marco Longari e Tanya Habjouqa.

O prémio destina-se a premiar reportagens de fotógrafos portugueses, dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e da Galiza, ou feitas por estrangeiros nestes territórios.

Coimbra é, pela primeira vez, a anfitriã deste festival de fotojornalismo, que, no passado, decorreu em Mora e em Viana do Castelo.

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