Vassouras, caixotes do lixo, bidões, areia... Sim, os Stomp estão de volta

O grupo britânico vai levar o seu ritmo e humor ao palco do CCB, com oito espetáculos entre amanhã e domingo

Areia, baldes, bidões, canos, escadas metálicas, vassouras... Por momentos, o público parece transportado para o meio de um estaleiro de obras, em vez de estar sentado na plateia de olhos postos no palco a ver um espetáculo que se torna surpreendente a cada segmento que lhe é apresentado.

Parte da magia dos Stomp, que estão de volta a Portugal (tem a certeza de que não ouviu eles a aproximarem-se?), passa por tornar ferramentas comuns do dia-a-dia em inusitados instrumentos musicais. É desta combinação entre o ritmo proporcionado pelo mais inesperado artefacto que se faz a música e a dança que dão corpo a um espetáculo que acaba por cativar sempre pela sua originalidade.

O grupo já atuou na Figueira da Foz e no Coliseu do Porto, no sábado (a reportagem do DN esteve lá e assistiu), e agora segue para fazer oito espetáculos no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, entre amanhã e domingo - o preço dos bilhetes oscila entre os 15 e os 45 euros.

No Porto, um Coliseu muito bem composto pareceu desde cedo rendido ao conjunto de oito performers que além da capacidade de criarem percussão de onde menos se espera e de manterem coreografias bem ensaiadas, num difícil exercício de coordenação, arrebatam o público em definitivo pelo humor.

Quem nunca os viu em palco poderá estranhar, mas o humor é uma espécie de fio condutor que atravessa todo o espetáculo, entre rasgos mais sofisticados ou até em pequenos gestos quase pueris.

O cenário também impressiona: sinais de trânsito, bidões e, claro, os caixotes do lixo, uma imagem de marca de um grupo de um talento sublime, que eleva esta mistura de teatro de rua e concerto de percussão ao patamar de arte de palco.

Entre segmentos mais minimalistas, com a utilização de isqueiros e fósforos, até ao recurso a carrinhos de supermercado ou bancadas de cozinha os Stomp apresentam um espetáculo completo.

Há também jornais - uma edição do DN apareceu em palco entre os broadsheets internacionais -, sacos de papel e de plástico, embalagens, cascas de banana... Tudo o que possa emitir um som pode ir a palco. Até as palmas do público se tornam parte do espetáculo e são tão usadas para criar ritmo como para prestar o devido reconhecimento aos artistas.

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