Uma ópera que fala bem fundo sem precisar da voz humana

Espetáculo Sempre/Ainda, de Alfredo Aracil e Alberto Corazón, tem hoje no Centro de Artes de Sines a terceira apresentação absoluta. Concerto é o segundo cartaz da edição 2016 do Festival Terras Sem Sombra.

Ouvir uma "ópera sem vozes"? Parecerá uma contradição insanável, mas o compositor Alfredo Aracil e o artista plástico Alberto Corazón decidiram convertê-la em harmonia, ao conceberem juntos Siempre/Todavía, espetáculo que tem no Centro de Artes de Sines a sua terceira apresentação.
"É uma proposta muito arriscada: 70 minutos só com piano e desenhos projetados convertidos em movimento", admite Alfredo Aracil (n. Madrid, 1954), compositor com um percurso de quase quatro décadas (com formação suplementar em História da Arte), que recebeu no ano passado o Prémio Nacional de Música do seu país - "e também para nós, criadores, tudo foi território novo. Mas foi ao desenvolver esta proposta que funde o visual-musical com o relato, que nos surgiu o conceito de ópera sem vozes". Quiçá o clic terá sido o próprio relato, o qual, diz, "é uma súmula de emoções, reflexões, vivências" - afim a um libreto de ópera, afinal!

O detalhe é que o relato não é... relatado, antes sendo "uma personagem que não aparece", opção cuja função foi "a de levar cada espectador até ao interior da "personagem", fazendo que quem vê se torna os olhos, ouvidos, cérebro e emoções daquela personagem: vemos o que ele vê, o que ele processa, lemos o que ele pensa".

Uma visita revelatória
Origem das palavras foram "apontamentos de toda a sorte feitos por Alberto Corazón numa visita a Damasco [e Alepo], em 2002" (...).

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Anselmo Borges

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