Uma odisseia musical da ópera até ao rock por causas sociais

Na noite de quinta-feira a soprano Elisabete Matos vai juntar-se a Camané, Jorge Palma e aos Xutos & Pontapés na primeira edição do Música em Dégradé, na Meo Arena.

"Acho que será muito pouco provável voltar a juntar estes quatro artistas em cima do palco", afirma Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, ao DN. Refere-se não só ao seu grupo, mas também a Jorge Palma, Camané e Elisabete Matos, que vão participar esta quinta-feira na primeira edição do Música em Dégradé, um espetáculo a realizar-se na Meo Arena, em Lisboa, e que vai da ópera ao rock, tendo como objetivo primordial recolher fundos para vários projetos sociais.

A ideia partiu da mente de um estudante de Gestão da Universidade Nova de Lisboa, Francisco Mello e Castro, de 21 anos, que este ano lançou a Let"s Help, uma organização de empreendedorismo social, sem fins lucrativos, responsável por este espetáculo. "Fiz voluntariado e comecei a ter uma noção da realidade em que vivem as instituições sem fins lucrativos do país, que são muito pouco independentes, ou seja, são demasiado dependentes do Estado e do setor privado, de donativos e dos mecenas. Essa insustentabilidade financeira leva-as a ficar muito aflitas e com a corda ao pescoço", refere. A Let"s Help é assim uma plataforma social que pretende ajudar na resolução deste problema. "Queremos ajudar as instituições sem fins lucrativos, isto é um sonho grande que existe." E como? "Primeiro criámos um fundo de investimento social e a ideia deste fundo é apoiar através de financiamento vários projetos sociais concretos", explica.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?