Um filme finlandês de apelo universal

O DIA MAIS FELIZ NA VIDA DE OLLI MÄKI Juho Kuosmanen

Eis um dos mais bem sucedidos embaixadores da recente produção cinematográfica finlandesa (distinguido em Cannes/2016, onde arrebatou o prémio principal da secção "Un Certain Regard"). Para fazer o retrato do pugilista Olli Mäki (n. 1936), o realizador Juho Kuosmanen combina os bastidores do boxe com um uma história romântica tão desconcertante que, por assim dizer, integra a sua própria caricatura.

O resultado é uma crónica de paradoxal intimidade, servida por uma fotografia a preto e branco que envolve, inevitavelmente, alguma nostalgia. E não deixa de ser pertinente referir que, em temporada de heróis ou super-heróis, esta visão de um pugilista não demasiado brilhante nos vem lembrar que o cinema pode tratar personagens (realmente) excecionais, mantendo uma vibração humana delicada e envolvente.

Classificação:*** bom

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Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.