Um filme finlandês de apelo universal

O DIA MAIS FELIZ NA VIDA DE OLLI MÄKI Juho Kuosmanen

Eis um dos mais bem sucedidos embaixadores da recente produção cinematográfica finlandesa (distinguido em Cannes/2016, onde arrebatou o prémio principal da secção "Un Certain Regard"). Para fazer o retrato do pugilista Olli Mäki (n. 1936), o realizador Juho Kuosmanen combina os bastidores do boxe com um uma história romântica tão desconcertante que, por assim dizer, integra a sua própria caricatura.

O resultado é uma crónica de paradoxal intimidade, servida por uma fotografia a preto e branco que envolve, inevitavelmente, alguma nostalgia. E não deixa de ser pertinente referir que, em temporada de heróis ou super-heróis, esta visão de um pugilista não demasiado brilhante nos vem lembrar que o cinema pode tratar personagens (realmente) excecionais, mantendo uma vibração humana delicada e envolvente.

Classificação:*** bom

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Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)