Um festival para todos

Brasileiro Silva atuou no último dia de Super Rock no Palco EDP

Se o primeiro dia de Super Bock Super Rock foi dos Red Hot Chili Peppers e o segundo do hip hop, o último deu para todos se divertirem um bocadinho no recinto do Parque das Nações.

"Ah e tal, o Bruno Pernadas para começar um festival é um desperdício." Ainda o músico lisboeta não tinha subido ao palco e já entre o (pouquíssimo) público que, sob o tórrido sol de verão, vegetava em frente ao palco EDP se ouviam queixas. O que vale é que com Bruno Pernadas nunca nada se desperdiça, como o espectador de mau feitio rapidamente deve ter percebido. Num dia, aparentemente (e apenas à vista), menos concorrido do que os anteriores, depressa quase todos se juntaram em frente a Bruno Pernadas e do pequeno ensemble por si liderado na perfeição - sopros, teclas, percussões várias. Com uma guitarra elétrica a fazer de batuta, Bruno foi assim como que um ser híbrido, no qual baixaram nesta tarde os espíritos de gente tão diversa como Frank Zappa ou José Afonso. Durou pouco, nem chegou a quarenta minutos, mas foi tudo menos um desperdício.

A famosa pala desenhada por Siza Vieira, em frente ao Pavilhão de Portugal, onde fica situado o Palco EDP, é uma construção única, mas sob o cada vez mais baixo sol do fim da tarde, provoca um inusitado cenário, em que o público se abriga lá atrás, debaixo da sombra, ou se concentra mesmo lá à frente, junto aos músicos. E foi assim, com uma espécie de barreira invisível entre dois blocos de pessoas a assistir a um mesmo concerto, que o brasileiro Silva se apresentou no SBSR. Já dono de um considerável culto em Portugal, o músico e cantor espírito-santense, mais conhecido pela sua sonoridade indie e intimista, não precisou de muito para agarrar o público, que depressa se juntou mesmo à sua frente, não faltando alguns passos de samba durante a sempre bem-vinda versão de Mistério do Planeta, o clássico de 1972 dos seminais Novos Baianos. Nem todos o saberiam, mas quem conhece gosta e os outros também.

Enquanto todos se despediam, embevecidos de Silva, os portugueses Stone Dead partiam tudo com o seu rock sem freios no concerto de abertura do Palco LG. Olhando à volta, parecia um mundo à parte do resto do festival, feito de gente cabeluda e T-shirts pretas, numa espécie de enclave rock, habitado por uma tribo que se preparava para invadir o Meo Arena daí a nada, para a celebração nostálgica dessa adolescência passada na viragem entre os velhinhos anos 90 e o admirável mundo novo do século XXI, ao som de bandas como os Deftones - mas também de Fatboy Slim, o senhor que se seguiu. Afinal, foi também nessa altura que toda esta confusão começou, lembram-se? Rock, eletrónica, hip hop? Que interessa? Tudo isto existe, tudo isto é música...

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