Um alentejano não canta sozinho, e é isso que vão dizer à UNESCO

No dia em que começa a reunião em que se decide a classificação como Património Imaterial, a vida de quem canta por amor.

"Mas o que é que o miúdo está aqui a fazer?", chegaram a perguntar a Carlos Paraíba, mestre ensaiador do Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa, quando um rapaz de 13 anos começou a dar os primeiros passos no cante alentejano participando nos ensaios. O jovem chama-se Carlos Arruda, tem hoje 28 anos, licenciou-se em Gestão Bancária, trabalha na supervisão do Banco de Portugal e revelou-se aposta certeira. Vai ser ele o cantador que lançará a moda (a canção) que o grupo vai cantar na reunião da UNESCO, em Paris, na quarta-feira, dia em que se deverá decidir a classificação do cante alentejano como Património Imaterial da Humanidade.

Carlos Arruda, desde os 13 anos a cantar em Serpa, é ponto e vai a Paris mostrar o cante alentejano à UNESCO

"Eu vi que cantava bem, que tinha uma voz bonita", conta Paraíba, primo por afinidade de Carlos Arruda, depois de o ouvir nas saídas entre amigos de que faziam parte o jovem Carlos Arruda e o seu pai. Um dia, no regresso, perguntou-lhe se queria cantar, ele disse que sim e nesse mesmo dia compraram as botas do traje do Coro da Casa do Povo de Serpa e começou a ir aos ensaios. "Tornou-se um cantor. Tem voz e ouvido para a música", afirma, em conversa com o DN. "Sou suspeito para dizer isto, mas ele é o melhor ponto de cante alentejano atualmente." Ou seja, aquele que dá o tom aos outros membros do grupo numa canção.

Um autocarro com 22 cantadores, responsáveis pela candidatura e o presidente da Câmara de Serpa, Tomé Pires, roda hoje pelas estradas de Espanha a caminho de França. Uma longa viagem para um máximo de 10 minutos de apresentação e dois minutos a cantar, ensaiados nas últimas semanas, a derradeira das quais no sábado.

Os Cardadores e as Papoilas do Corvo ensaiam sob a direção de Pedro Mestre

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