Túmulo de D. Dinis está em limpezas

A Direção Geral do Património Cultural (DGPC), a Câmara Municipal de Odivelas e Colégio Militar estão a restaurar o túmulo de D. Dinis, no Mosteiro de Odivelas.

"A DGPC está a promover uma ação de limpeza e consolidação de dois túmulos existentes no Mosteiro de S. Dinis de Odivelas - o túmulo de D. Dinis e o túmulo do Infante D. Dinis", informou hoje aquela entidade. Os trabalhos de conservação começaram a 23 de novembro e têm um prazo de execução de 30 dias.

D. Dinis morreu em 7 de Janeiro de 1325, em Santarém. "Para que se cumprisse a disposição do último testamento datado de 1322, onde o monarca expressava a intenção de ser tumulado no mosteiro de Odivelas que fundara anos antes, em 1295, "antre o coro e a ousia maior", o corpo do monarca terá sido embalsamado, envolto num pano brocado e posto num ataúde. O cortejo fúnebre percorreu a planície ribatejana ao som do repique dos sinos das igrejas e mosteiros das povoações por onde passavam. No Mosteiro de Odivelas esperavam-no o Cabido da Sé, as Ordens, a Câmara da cidade e 80 monjas da comunidade cisterciense, com tochas acesas", refere a DGPC.

Restauro demora cerca de um mês

"O túmulo sofreu, ao longo dos tempos, várias alterações e transformações na sua forma, provocadas quer por causas naturais, como o terramoto de 1755, quer por outras que se prendem com a ação humana. As diversas trasladações e os sucessivos restauros realizados nos séculos XIX e XX terão contribuído também, e paradoxalmente, para a sua deterioração, chegando aos nossos tempos com uma imagem desvirtuada e extremamente desvalorizada", explicita o comunicado.

As obras de limpeza e restauro estão a cargo da empresa K4, gestão de Património, Lda.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.