Trinta anos depois, Jim Del Monaco ainda mexe

No primeiro dia do Amadora BD a maior fila foi para os autógrafos dos autores Luís Louro e António Simões, que se espantaram com o sucesso do herói trintão

Conseguir alguns minutos de conversa com Luís Louro e António Simões, criadores de Jim del Monaco, foi tarefa árdua, ontem, primeiro dia do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Durante duas horas não pararam de assinar e desenhar o anti-herói que cumpre 30 anos e desde 1993 não saía da gaveta.

Luís Louro e António Simões - Tozé - decidiram resgatá-lo há um ano. Entre dezembro e março quatro novas aventuras foram escritas e ilustradas, com uma ajuda das novas tecnologias. O estúdio onde os dois amigos de infância tinham criado Jim del Monaco foi substituído pela Cloud e pelo iMessenger, ao computador, onde desenvolveram as histórias de O Cemitério dos Elefantes, recém-chegado às livrarias. "Cada um de nós está a fazer o que tem de fazer e a dizer os mesmos disparates", explica António Simões, a quem cabe escrever a história da personagem.

O herói colonial chama-se Jim para ironizar com o Jim das Selvas e "é Del Monaco porque vimos passar um tipo com uma T-shirt que dizia Del Monaco", revela Luís Louro. O autor dedicou-se à fotografia - "um hobby que foi ganhando cada vez mais espaço", diz - e há oito anos que não pegava num lápis amarelo e preto, como o que empunhou ontem durante a tarde, para fazer os contornos de uma personagem que, foram descobrindo, nunca perdeu fãs. Entre eles, Rui Zink, que assina Del Monaco, no prefácio deste novo álbum (edição Asa), em que se acrescentaram curiosidades e capas das outras edições da personagem, nascida nas páginas do suplemento Tabloide, do Diário Popular - começou no dia 12 de outubro de 1985.

"A personagem tinha um alcance que não supunha", afirma António Simões, gestor empresarial desde que deixou a banda desenhada. É para continuar? "Com estas manifestações? Acho que sim", responde, sem hesitar.

A personagem [Jim del Monaco

Além da sessão de autógrafos, Luís Louro e António Simões têm uma exposição das pranchas do novo álbum no festival de banda desenhada e fazem uma visita guiada no próximo sábado, dia 31, às 15.00.

O primeiro dia do festival foi também o último para as 15 pessoas que participaram no projeto Entre Margens, que ligou, pelo desenho, a Casa da Cerca, a Bedeteca da Amadora e o Fórum Luís de Camões, na Brandoa. Durante cinco semanas, todos os sábados, com a supervisão do ilustrador Nuno Saraiva, criaram cadernos de viagem.

Sentados frente a uma parede com desenhos pendurados dedicavam-se a um último exercício "narcísico", segundo Nuno Saraiva, de desenharem os seus próprios desenhos. O próximo passo será voltar ao ponto de partida, a Casa da Cerca, com uma exposição coletiva destes desenhos e dos seus distintos autores.

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