Toronto coloca Frances McDormand na rota dos prémios

Vitória no TIFF para Three Bilboards Outside Ebbing, Missouri, com Frances McDormand. O festival atirou para a corrida dos Óscares filmes como Molly's Game, The Shape of Water e A Hora Mais Negra.

Um festival sem obra-primas, nenhum favorito descarado para os Óscares como aconteceu o ano passado com La La Land, Manchester By The Sea e Moonlight, mas com o habitual folclore das pré-campanhas da temporada dos prémios. Ainda assim, alguns dos filmes com mais prestígio da rentrée e de 2018 estiveram presentes sob o signo das biografias e do enaltecimento do poder feminino (um filme como Mary Shelley, com Elle Fanning, cumpria a "tendência" dos filmes com retratos de mulheres "fortes").

Fazendo um ponto de situação, de Toronto e de todo o seu hype há alguns filmes que reforçam o seu estatuto neste arranque da corrida aos prémios. Three Bilboards Outside Ebbing, Missouri, de Martin McDonagh, venceu o Grolsch Peoples Choice Award, votado pelo público. Quem vence este prémio costuma ter, por tradição, sorte na temporada dos prémios (que o digam O Discurso do Rei ou La La Land). O filme é marcado por uma interpretação forte de Frances McDormand, tendo sido já muito bem recebido no Festival de Veneza, onde passou fora de competição. Uma história sobre uma mãe que tenta pressionar as autoridades de Ebbing para descobrirem o culpado da morte da sua filha. A atriz de Fargo, diz-se, é já uma das grandes favoritas para os prémios de melhor atriz.

Outros dos filmes que beneficiaram da exposição do TIFF foram The Shape of Water, de Guilhermo del Toro e A Hora Mais Negra, de Joe Wright. O primeiro venceu o Festival de Veneza e em Toronto teve as crítica mais elogiosas, enquanto o segundo tem um Gary Oldman com uma interpretação de uma vida (um Wiston Churchill operático!). É quase seguro apostarmos no britânico para o Óscar de melhor ator (a não ser que em dezembro Daniel Day-Lewis se esmere no filme sobre a moda britânica nos anos 1950 de PT Anderson). De notar ainda o bom lobby que a Sony conseguiu com Call Me By Your Name, de Luca Guadagnino e o efeito "agrada-multidões" de The Disaster Artist, de e com James Franco, adquirido entretanto pela toda-poderosa Warner.

Se os tais "frontrunners" não são muito evidentes, há interpretações que nesta edição ganharam o impulso irreversível para os Óscares, como Laurie Metcalf (secundária) e Saoirse Ronan em Lady Bird, de Greta Gerwig; Jessica Chastain em Molly's Game, de Aaron Sorkin; Alyson Janney (secundária) e Margot Robbie em I, Tonya, de Craig Gillespie; Annette Bening em Film Stars Don't Die in Liverpool, de Paul McGuigan.

Os perdedores mais notórios foram filmes como Mãe!, de Darren Aronovsky (foi campeão a dividir opiniões); Woman Walks Ahead, de Susanna White; Pequena Grande Vida, de Alexander Payne; Battle of The Sexes, de Jonathan Dayton e Valeri Faris (talvez ainda possa sonhar com a nomeação para melhor atriz, Emma Stone- seria um exagero!), Roman J. Israel, Esq, de Dan Gilroy e Suburbicon, de George Clooney. Perdedores porque terão ficado sem o chamado "hype", obras que tiveram tudo menos a aclamação generalizada.

Dos palmarés, destaque ainda para o Grolsch Award para melhor documentário: Visages, Villages, de JR e Agnés Varda, e para o prémio de melhor filme da secção Platform, Sweet Country, do australiano Warwick Thornton.


A nível de mercado, I Love You, Daddy, de Louis CK (um dos melhores filmes do festival) foi um dos casos, com uma venda sensacional para a Orchad...Um festival que conseguiu ainda a antestreia mundial de Submergence, de Wim Wenders, filme magoado sobre uma historia de amor interrompida pelo novo terrorismo dos nossos dias. Um Wenders em boa forma que esta semana abre o Festival de San Sebastian.

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