Top ten dos monumentos que ganharam 4 milhões de turistas em seis anos

Em 2012, ultrapassou-se pela primeira vez a barreira dos cinco milhões de entradas nos dez monumentos mais visitados em Portugal. Seis anos depois, venceu-se a marca dos nove milhões. Sintra e Castelo atentos à pressão turística.

Ricardo e Carina chegaram ao Castelo de São Jorge, em Lisboa, por recomendação de um amigo. Enquanto esperam pelo início de uma das sete visitas diárias ao sítio arqueológico, este casal argentino conta como ficou muito impressionado com o estado de preservação do monumento, o mais visitado em Portugal em 2017.

Nesta sua estreia em Lisboa e no Castelo de São Jorge, o destaque vai inteirinho para a câmara escura. "É um sistema ótico muito original. Apesar das condições atmosféricas, com todo este nevoeiro, é notável", diz Ricardo. Naturais de Buenos Aires, onde se conheceram a dançar o tango, não deixam de notar alguma dificuldade em subir e descer as escadas junto aos panos das muralhas. "Mas aí, o que se pode fazer? Se não for assim perde o encanto", afirma Ricardo.

Na quarta-feira, não havia filas para comprar bilhetes, ao contrário do que acontece durante os meses mais quentes do ano que o ano passado em muito contribuíram para os quase dois milhões de entradas vendidas, com franceses, espanhóis e brasileiros a serem as nacionalidades em maioria. O Palácio da Pena e o Mosteiro dos Jerónimos completam o pódio dos monumentos preferidos pelos turistas, com o top 10 (ver infografia) a somar mais de nove milhões de entradas pagas em 2017, mais quase quatro milhões do que as registadas em 2012. Ou seja, em seis anos, houve uma subida de 78%.

Quanto ao Castelo, nesses seis anos não só ultrapassou a fasquia de um milhão de visitantes (em 2013) como quase a dobrou este ano. Mas, "para já, não há necessidade de implementar medidas de salvaguarda do monumento", refere a diretora Teresa Oliveira, embora considere que "possivelmente estamos aqui a chegar a um limite a partir do qual vamos ter de gerir fluxos". Para facilitar a vida aos turistas e diminuir as filas durante os meses de maior procura, este ano deverá ser criada a bilheteira online e deverão passar a estar disponíveis audioguias, juntando-se aos folhetos em nove idiomas que já são entregues aos visitantes juntamente com os bilhetes.

Kittin, Kisha e Karen, cujo ar oriental esconde a nacionalidade holandesa, também visitaram pela primeira vez o Castelo de São Jorge na quarta-feira. E falam com entusiasmo de tudo o que já aprenderam. "Visitar um castelo é sempre excitante. Queríamos saber como viviam aqui. Não estávamos à espera que fosse assim, aberto. Pensávamos que havia casas aqui dentro. Que aqui viviam pessoas", afirma Karen. "E se não fosse a visita guiada ao sítio arqueológico podíamos dizer que isto é tudo muito bonito, está tudo muito bem preservado, mas não percebíamos o que aqui se tinha passado. Assim sabemos que viveram aqui pessoas numa época antes de Cristo, as diferentes construções que aqui houve, o forte terramoto do século XVIII", diz Kittin, partilhando algumas das ideias retidas durante a visita guiada ao sítio arqueológico.

A mesma ideia traziam os uruguaios Juan Carlos e Gabriel. "Pensava que vinha aqui visitar salas de uma casa medieval. Afinal são só espaços exteriores, na verdade, uma fortaleza militar", diz Juan Carlos. "Mas é muito interessante. Respira-se história antiga", refere ainda, enquanto se dirige para a esplanada de entrada do Castelo onde dentro de momentos o guia Mário vai dar início "À descoberta ao castelo", segunda visita guiada do dia que durante uma hora passa em revista todo o recinto (e que tal como a visita ao sítio arqueológico está incluído no bilhete de entrada no monumento).

Serralves duplica

Quando se olha para o top 10 dos monumentos nacionais mais visitados, apenas dois - Serralves e Universidade de Coimbra - não se situam na zona de Lisboa. De resto, Coimbra, desde 2013 classificada como Património da Humanidade pela UNESCO, é mesmo o local que regista um maior crescimento ao longo dos seis anos aqui em análise, passando de menos de 200 mil visitantes em 2012 para os 501 mil registados no último ano. Nota também para Serralves que duplicou o número de visitantes.

Salta também à vista surgirem três monumentos em Sintra: o Parque e Palácio da Pena (com quase 1,6 milhões de visitas), Castelo dos Mouros (561 mil) e o Palácio Nacional de Sintra (545 mil). Serão valores que obrigam a restrições nas entradas para salvaguardar algum destes monumentos, em especial a Pena? "A Parques de Sintra vai promover este ano um estudo sobre a capacidade do monumento [Pena] para acolher visitantes, pelo que só depois da conclusão desse estudo estaremos em condições de avaliar melhor esta questão e tomar eventuais decisões em relação a esta matéria", diz ao DN Manuel Baptista, presidente do conselho de administração da Parques de Sintra. A joia da coroa de entre os dez equipamentos geridos pela empresa será alvo de um investimento de 2,4 milhões de euros, do total de 20 milhões que a Parques de Sintra prevê investir este ano.

Sobre o Castelo dos Mouros, que em 2017 pela primeira vez atraiu mais de 500 mil visitantes, conseguindo um aumento superior a 30% em relação a 2016, Manuel Baptista lembra o "grande projeto de revalorização e restauro deste monumento" realizado pela Parques de Sintra. "Recuperação das muralhas, da Cisterna, das ruínas da Igreja de São Pedro de Canaferrim e de todos os caminhos e acessos, e também a implementação de um Centro de Interpretação da História do Castelo. Este espaço foi ainda dotado de um novo Centro de Atendimento ao Visitante e de novas casas de banho e cafetaria", especifica. E adianta uma outra razão: "Desenvolvemos um esforço crescente na promoção da venda de bilhetes combinados, com desconto, pelo que, até pela proximidade, muitos dos visitantes do Parque e Palácio Nacional da Pena visitam também o Castelo dos Mouros", explica Manuel Baptista.

O Palácio Nacional de Sintra, no centro da vila, foi este ano ultrapassado em número de visitas pelo Castelo dos Mouros. Com cerca de 545 mil entradas vendidas em 2017, "consideramos que ainda estamos longe de um número de visitantes que seja considerado de saturação", refere. "Verificamos que, mesmo na época alta, o monumento regista um fluxo normal de visitantes", junta o presidente da empresa que terminou 2017 com cerca de 30 milhões de receita.

De entre os dez monumentos mais visitados, apenas o Museu Berardo (que passou a ter entradas pagas em maio) e a Torre de Belém (retirada de bilhetes combinados e que passou a ter limite máximo de entradas a partir do qual a visita é suspensa) registaram uma diminuição de visitas entre 2016 e 2017.

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