Tom Holland: quem é o novo Homem-Aranha?

Depois de Tobey Maguire e Andrew Garfield, é a vez do jovem Tom Holland se fazer às paredes em "Homem-Aranha: Regresso a Casa".

Quando o nome de Tom Holland foi anunciado para substituir Andrew Garfield na pele do aracnídeo mais famoso do cinema, as reações não foram unânimes. Houve quem o achasse demasiado jovem para o papel, mas houve também quem defendesse convictamente a opção de casting, como Chris Hemsworth e o realizador Ron Howard, ambos testemunhas do seu empenho, talento e destreza física durante a rodagem de No Coração do Mar (2015). De facto, tendo sido escolhido ainda com 19 anos, e neste momento com 21, este é o mais novo dos Homens-Aranhas (Tobey Maguire tinha 27 na primeira vez que interpretou a personagem, e Garfield 29). Mas, no caso do filme que chega amanhã às nossas salas, essa era mesmo uma exigência, dado que este Homem-Aranha é... um adolescente de 15 anos.

Nas declarações que fez perante o ceticismo de alguns fãs, Holland sublinhou a especial motivação de provar que está à altura da responsabilidade. E depois de vermos Homem-Aranha: Regresso a Casa, de Jon Watts, o mínimo que se pode dizer da sua prestação é que tem um charme humorístico à espreita, num argumento que não lhe dá oportunidades nem diálogos para o revelar plenamente. Este é um Peter Parker em ebulição, com o entusiasmo bem marcado no rosto, e aqui num esforço para conciliar a vida de super-herói (à escala do bairro) com os estudos e assuntos do coração.

Depois de ter dado o ar de sua graça em Capitão América: Guerra Civil, Tom Holland assume desta forma um novo registo dentro do seu currículo, que, tal como aconteceu com os atores precedentes, terá duração limitada pelo requisito de juventude da personagem.

Mas de onde vem Holland? O ator inglês estreou-se no grande ecrã com 16 anos, ao lado de Naomi Watts e Ewan McGregor, no filme O Impossível (2012), de J.A. Bayona. Tendo passado também pelo musical ao vivo de Billy Elliot (que lhe reitera a competência física para o novo desafio), e pela já referida grande produção de Ron Howard, No Coração do Mar, além de um muito apreciável desempenho, ainda que curto, no recente A Cidade Perdida de Z, de James Gray, importa olhar para o modo como o Homem-Aranha poderá mexer com o seu percurso.

Pensemos em Tobey Maguire, cuja popularidade disparou depois de vestir o fato vermelho e azul, em 2002, e que hoje pouco se deixa ver. Destacam-se alguns títulos em que participou posteriormente, como O Bom Alemão (2006), de Soderbergh, Entre Irmãos (2009), de Jim Sheridan, e O Prodígio (2014), este último interpretando o campeão mundial de xadrez Bobby Fischer. São todos eles papéis que construíram novos sinais de maturidade, mas sem grande eco.

O mesmo não aconteceu com Andrew Garfield, que terminada a sua passagem pelo universo Marvel, nos dois filmes O Fantástico Homem-Aranha (2012/2014), mostrou-se disponível para outros céus. Se com 99 Casas, que fez logo depois, surpreendeu pela segurança da sua performance dramática, com O Herói de Hacksaw Ridge, de Mel Gibson - pelo qual teve a primeira nomeação ao Óscar -, e O Silêncio, de Scorsese, então é que não restaram dúvidas...

E Tom Holland, que futuro será o dele? A julgar pela inteligência da sua postura, esse carisma que se vislumbra tanto num filme de Gray como num blockbuster é de se ter esperança que depois do Homem-Aranha lhe seja dada a oportunidade de cair nas teias certas. Entretanto, suba as paredes.

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