Siza na Bienal de Veneza para completar obra com 35 anos

O estaleiro de um edifício inacabado alberga a presença portuguesa no evento.

O arquiteto Álvaro Siza Vieira enalteceu hoje a beleza de Veneza, onde venceu um concurso para a construção de habitação social em 1980, dizendo que quando desenha esta cidade italiana até a sua mão treme.

Álvaro Siza Vieira deixou estas breves palavras aos jornalistas antes da inauguração da exposição oficial de Portugal na Bienal de Veneza, que é dedicada aos seus projetos para a construção de bairros sociais em cidades como o Porto, Haia, Berlim e na ilha de Giudeca, em Veneza.

A exposição portuguesa Neigbourhood - Where Alvaro Meets Aldo pretende agora dar um impulso à retoma da construção, algo que foi pedido insistentemente pelos moradores deste bairro veneziano.

Um tema do agrado do diretor desta 15.ª edição da Bienal de Arquitetura, o chileno Alejandro Aravena, 48 anos, que se distingue pela sua arquitetura comprometida socialmente, amplamente referida no momento em que, este ano, recebeu o prémio Pritzker, o mais importante da arquitetura.

Siza Vieira, cujos projetos de habitação social se mostram antes e atualmente na exposição, Aravena, nascido no Chile, há 48 anos, tem dedicado o seu percurso a trabalhar a habitação social.

A Quinta Monroy, em que deixava casas meio feitas e à disposição dos habitantes para completar, tornou-se num dos seus projetos mais emblemáticos. É dele também o projeto de reconstrução da cidade de Constituición, no país natal, após o tsunami de 2010.

Reporting From the Front é o título escolhido por Alejandro Aravena para exposição da Bienal, que inaugura ao público no sábado no A e poderá ser vista até 27 de novembro. Num comunicado divulgado pela organização, o chileno explica as duas dimensões pretendidas com esta mostra: "por um lado, a variedade de temas a que a arquitetura deve dar resposta, acrescentando explicitamente às dimensões cultural e artística que já estão na nossa mira, aquelas que estão no fim do espectro social, político, económico e ambiental"; "por outro, gostaríamos de enfatizar o facto da arquitetura ser chamada a responder a mais do que uma dimensão ao mesmo tempo, integrando uma variedade cmapos em vez de escolher um ou outro".

Os portugueses Francisco e Manuel Aires Mateus, Inês Lobo, João Luís Carrilho da Graça, menos é mais, Paulo David, Souto Moura, Summary (Samuel Gonçalves) estão entre os participantes.

Álvaro Siza Vieira, de 82 anos, venceu em 1980 um projeto para a reabilitação de um bairro de construção económica dos anos 30 do século passado na ilha de Giudeca, em Veneza, mas a construção foi interrompida já em 2010 por falência do empreiteiro.

É no estaleiro da obra, fora dos circuitos tradicionais da Bienal, que está montada a exposição que reúne documentos e fotografias dos trabalhos de Álvaro Siza, também ele vencedor do Pritzker.

Numa iniciativa com a presença do primeiro-ministro, António Costa, e com o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e com o secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, o presidente executivo da EDP, António Mexia, cujo grupo económico é o principal patrono desta exposição, defendeu "o caráter fundamental da internacionalização da cultura portuguesa para a reputação externa do país".

"Uma das coisas que mais gosto é da ideia de este projeto de Álvaro Siza Vieira estar parado e agora, aqui, em Veneza, dizer-se que foi preciso chegarem os portugueses para tudo voltar a andar", declarou o antigo ministro das Obras Públicas e Transportes. com Lusa

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.