Será ano forte, sim. Ponham as fichas...

O DN já viu alguns dos filmes portugueses de 2017 e pela amostra será ano forte. É arriscar, senhoras e senhores...

Dizer que 2017 vai ser um ano em cheio para o cinema português pode ser perigoso, mas é preciso arriscar e sermos otimistas. Janeiro, por exemplo, é um mês com estreias que merecem a ida ao cinema e, logo em fevereiro, na competição da Berlinale Portugal vai ter Colo, filme desoladíssimo de Teresa Villaverde.

As razões para o otimismo crescem quando se sabe que Bruno de Almeida (Cabaret Maxime), Manuel Mozos (Ramiro), João Viana (Our Madness), Jorge Cramez (Amor Amor) e Sérgio Tréffaut (Seara de Vento) têm filmes prontos. E, depois, em março, o filme que todos querem ver: São Jorge, de Marco Martins, onde o espectador vai levar uma surra emocional como não está à espera. Portugal no tempo da crise e da intervenção da troika como documento histórico. Mas São Jorge, mesmo nas suas experiências de docuficção, tem sempre um fulgor de cinema puro de ficção. E tem um Nuno Lopes que ganha uma carga de santo ou de anjo (chegamos a pensar nos anjos de Tão Longe, Tão Perto, de Wenders...).

Mais à frente, o road-movie supremo de João Canijo, Fátima, a tal peregrinação feminina a Fátima, cuja distribuidora é a NOS, a acreditar que um filme de um autor possa chegar ao grande público de todo o país. E pode, claro, sobretudo quando há atrizes como Rita Blanco, Teresa Tavares ou Anabela Moreira.

Voltando a janeiro, chega a vida e obra de Teixeira Gomes em Zeus, obra de estreia de Paulo Filipe Monteiro, um simpatiquíssimo filme maldito que beatifica o antigo Presidente da República mas que recusa o esquema da biografia certinha de trás para a frente do homem.

No mesmo dia, é reposto Autografia, de Miguel Gonçalves Mendes, que é precisamente o produtor de Cruzeiro Seixas - As Cartas do Rei Artur, documentário de Cláudia Rita Oliveira, onde Cesariny, o visado de Autografia também é convocado. No final do mês, outro documentário, a viagem japonesa de Cláudia Varejão, Ama-San, filme imperdível. Em fevereiro, tempo para nos perdermos na admirável nova aventura de Salomé Lamas, Eldorado XXI, recentemente vencedora do Porto/Post/Doc.

Pronto a inaugurar os cinemas Trindade está Ornamento e Crime, de Rodrigo Areias. Leonel Vieira vai voltar a querer ser o rei do mercado com Mulheres, o seu mais recente filme e com um elenco luso-brasileiro. Vieira é ainda o produtor de Perdidos, de Sérgio Graciano.

Índice Médio de Felicidade, de Joaquim Leitão e Al Berto, de Vincent Alves do Ó, também têm alguma legitimidade em encontrar público que se veja...

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.