SBSR esgotado e à espera dos Red Hot Chili Peppers

A banda californiana é a principal cabeça-de-cartaz do primeiro dia de festival Super Bock Super Rock, mas há muito mais para ver nos quatro palcos.

Não é lá muito comum ter um vencedor da Eurovisão a atuar num festival de música como o Super Bock Super Rock, mas é isso mesmo que vai acontecer amanhã, quando, às 17.30, os Alexander Search subirem ao palco EDP, para o primeiro concerto da edição deste ano. Para quem ainda não sabe (e já serão com certeza poucos), esta banda, inspirada pelo universo do jovem Fernando Pessoa, é liderada pelo pianista Júlio Resende e tem como vocalista nada mais nada menos que Salvador Sobral - ou melhor, Benjamin Cymbra, uma personagem criada a partir de um dos heterónimos ingleses de Fernando Pessoa, tal como acontece, aliás, com os restantes membros da banda.

Durante o resto da tarde, passam ainda por este palco, às 18.40, o rock psicadélico dos brasileiros Boogarins (que acabaram de lançar o novo disco Lá Vem a Morte) e, às 20.00, o indie rock dos americanos The Orwells. Mais ou menos pela mesma hora, começa também a funcionar o palco LG, situado junto à escadaria do Meo Arena, que será exclusivamente dedicado à nova música portuguesa, estando a programação a cargo da estação de rádio SBSR.FM.

Neste primeiro dia passam por lá Minta & the Brook Trout (20.00), Manuel Fúria e os Náufragos (20.50) e Throes + The Shine (22.20). Pelo meio, o melhor é arranjar também algum tempo para voltar a espreitar o que se passa debaixo da pala do Pavilhão de Portugal, no palco EDP. Às 21.20, aí se apresenta o americano Kevin Morby, um dos novos gurus da música alternativa, a par de nomes como Kurt Vile ou Mac DeMarco, seguindo-se o português The Legendary Tiger Man, que vai para apresentar pela primeira vez as músicas do novo álbum Misfit, com edição prevista para o início do próximo ano (ler entrevista em baixo).

Quanto ao palco principal, instalado no interior do Meo Arena, arranca às 20.40, com aquele que, porventura, será um dos momentos mais altos deste primeiro dia, com a atuação da The New Power Generation, a banda que desde 1990 acompanhava Prince. Estarão em palco com o cantor americano Bilal, que irá interpretar alguns dos maiores êxitos de Prince e, segundo consta, também terão convidado a portuguesa Ana Moura a juntar-se a eles, nesta homenagem ao Artista de Minneapolis, de quem era amiga.

Nesta primeira noite, a representação portuguesa no palco principal estará a cargo dos Capitão Fausto, que foram assim promovidos, depois de no ano passado terem atuado num dos palcos mais pequenos. Chegam às 22.20, para mostrar o porquê do sucesso de Capitão Fausto Têm os Dias Contados, o disco de 2016 que os catapultou para a primeira divisão da música nacional.

Cerca de uma hora e meia depois, por volta da meia-noite, chegam finalmente aqueles que todos querem ver, os americanos Red Hot Chili Peppers, os principais responsáveis pelos bilhetes para este primeiro dia terem ficado esgotados logo em dezembro. Compreende--se, afinal, a banda fundada em 1983 pelo vocalista Anthony Kiedis e o baixista Flea (que se juntam ainda o baterista Chad Smith e o guitarrista Josh Klinghoffer) é uma das grandes instituições vivas da história do rock, que regressam a Portugal, mais de dez anos depois da última visita, com um novo disco e a mesma história feita de êxitos - que todos vão querer ouvir mais logo.

Depois, a festa continua para os lados da sala Tejo do Meo Arena, onde a dupla de produtores americanos Tuxedo e os portugueses Xinobi e Moullinex continuam a dar música noite fora.

O festival continua amanhã, com um dia marcado pelas rimas e batidas do hip hop, que terá como cabeça-de-cartaz o rapper americano Future, mas no qual se destacam também propostas como a fusão entre jazz e hip hop da germano--americana Akua Naru, o rap em português do coletivo luso-brasileiro Língua Franca ou as novas leituras do hip hop nacional avançadas por Slow J e NBC.

Entrevista The Legendary TigerMan

"Este concerto faz sentido?"

É um dos principais destaques neste arranque do Super Bock Super Rock, a atuação de The Legendary Tigerman, que terá lugar hoje, às 22.50, naquele que será o último concerto do dia no palco EDP, instalado por baixo da Pala do Pavilhão de Portugal. O espetáculo servirá para apresentar, na íntegra e em primeira mão, o novo álbum Misfit, com edição prevista apenas para o início de 2018 e que, segundo o músico revela nesta entrevista ao DN, marca uma viragem no som do alter-ego musical de Paulo Furtado. A ocasião servirá também para ver, pela primeira vez, a nova formação que o acompanha, a qual, além do baterista Paulo Segadães e do saxofonista João Cabrita, inclui também agora o baixista Filipe Rocha, também membro dos Sean Riley & The Slowriders.

Que ideia foi esta de apresentar um disco ao vivo ainda antes do público o conhecer?

Na verdade, quando pensámos em fazer isto, a edição estava inicialmente prevista para Setembro, mas depois passou para Janeiro, porque surgiu a possibilidade de lançar o disco em mais países e decidimos fazê-lo em simultâneo para todo o lado. Durante algum tempo dei por mim a questionar-me: este concerto faz algum sentido? Ou se era apenas um ideia maluca que podia correr mal. Estive um bocadinho cético, posso confessar, mas depois decidi mesmo fazê-lo.

E o que o convenceu?

Percebi que fazia todo o sentido, tendo em conta todo o meu percurso. A minha carreira enquanto Tigerman tem sido construída muito mais ao vivo que em disco. É em palco que este projeto consegue mostrar toda a sua força rock and roll. Por outro lado, hoje em dia já não existe propriamente um método único de promover um disco, como acontecia antigamente, em que saía um single, depois o disco e só a seguir se apresentavam as novas músicas ao vivo. Reconheço que escolhi uma forma um pouco surrealista, em que apresento primeiro o disco ao vivo, sem ninguém conhecer as músicas.

Qual é a principal diferença deste disco para os anteriores?

É só um dos discos mais importantes na minha carreira e também por isso podia ter sido um bocadinho mais conservador na promoção, reconheço (risos)... A principal diferença está na sonoridade e também na composição. O modo como as guitarras soam também de uma forma bastante diferente, creio.

Como vai ser o concerto?

Vamos apresentar as músicas na íntegra e pela mesma ordem do disco. Não há muito mais a dizer além disto. Vamos também apresentar uma nova formação, que agora inclui também o baixista Filipe Rocha, dos Sean Riley & The Slowriders, por que o baixo desempenha um papel muito importante no disco.

Começou The Legendary Tigerman como um one man band mas, aos poucos tem-se vindo a afastar cada vez mais desse formato, concorda?

É um one man band diferente. Foi um processo que começou já há algum tempo e que foi apresentado pela primeira, há dois anos, no festival de Paredes de Coura, quando subi ao palco com o Paulo Segadães na bateria e o João Cabrita no saxofone. Eu vejo as canções como organismos vivos, que mudam com o tempo. É isso que esta nova formação me permite, deixar crescer as canções.

E o Paulo Furtado, enquanto artista, que expectativa tem para este concerto?

A expectativa é não ter qualquer expectativa. Vai ser muita coisa nova a acontecer em palco e há muitas variáveis em palco. Tanto pode ser um sucesso como um completo fracasso. Apenas quero viver o concerto e dar o meu melhor na interpretação das canções. A partir daí, é deixar a música falar por si, como sempre faço em todos os espetáculos.

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