Salvador já prepara disco com músicos e escritores

Regressa aos palcos nas ilhas e em junho faz digressão por Espanha. O novo herói nacional está de regresso e ontem falou à RTP

Salvador Sobral quer olhar em frente. Quer viajar pelo mundo e tocar. Bogotá e Caracas. Porque é "um bocado viciado na América do Sul". Está a preparar um novo álbum, e convidou "uma data de músicos que admira", entre os quais Mário Laginha e Samuel Úria, e escritores, como Miguel Esteves Cardoso e Gonçalo M. Tavares. Vai regressar aos palcos nas ilhas, Açores e Madeira. "Vai ser giro".

O músico de 28 anos esteve ontem no estúdio do Telejornal na primeira entrevista que deu após o transplante cardíaco que fez, em dezembro, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide. Claramente prefere falar do futuro, mas não se escusou a falar sobre esta experiência. Diz, respondendo a uma pergunta de João Adelino Faria, que não sentiu nada de especial depois de acordar: "Não senti nada. É impossível pensar ou sentir, é uma experiência fora da realidade". E se o novo coração tinha feito dele uma pessoa diferente, garante que não: "está tudo na alma, o coração não tem nada a ver, o coração é um músculo". Também diz que não o afeta no processo criativo: "Não componho a pensar no coração de outra pessoa", disse, embora admita que todas as vivências afetam aquilo que chega às suas canções. Garante, gosta mais de ser intérprete do que ser compositor. "Eu não sou grande compositor. Componho quando um amigo, o Leo, meu quase me obriga a compor. Gosto de ser intérprete, bom intérprete", disse bem disposto.

Por isso, convidou outros a comporem as músicas do seu novo disco, que está a preparar. Entre eles os escritores Miguel Esteves Cardoso e Gonçalo M. Tavares e os músicos Mário Laginha e Samuel Úria - "Samuel se me estás a ouvir por favor compõe essa merda", disse no seu estilo bem disposto. O seu regresso aos palcos será nas ilhas portuguesas, com o seu projeto Alexander Search (inspirado em Fernando Pessoa). "Vamos fazer um renascimento nos Açores e na Madeira. Vai ser giro".

Ano díspar

No estúdio da RTP, Salvador Sobral voltou a ver as imagens da vitória na Eurovisão e a loucura nacional e internacional que se seguiu, com homenagens várias, recordes de partilhas online e múltiplas interpretações de Amar pelos Dois em várias latitudes e idiomas. Já não via estas imagens há algum tempo. Tanto se passou, entretanto, admite: "Eu penso sempre, imagina que eu vou a Paris e encontro um tipo que não me conhece de lado nenhum que me pergunta, então como foi o teu ano de 2017? Nada de especial, ganhei o maior concurso de pop europeu e toda a gente me conhecia de um dia para o outro, e uns meses depois enfiei-me num quarto de hospital durante quatro meses e fiz um transplante de coração. Acho que é o ano mais díspar que alguém podia imaginar."

Diz-se pragmático e, desvalorizando o facto de ter um coração novo ser algo extraordinário, - "eu adaptei-me, aquela situação para mim é a realidade" -quer olhar em frente: "Tinha aquele problema, está resolvido, vou começar a tocar".

Já fez alguns ensaios de voz mas admite que não está a cem por cento, devido aos medicamentos que está a tomar: "A minha voz está um bocadinho frágil neste momento, mas acho que vai voltar ao que era". Mais do que como pessoa, a cirurgia influenciou-o fisicamente, admite.

Salvador Sobral deverá estar no Festival da Canção, até porque tem lá o intérprete que escolheu para um dos 26 temas desta edição. Trata-se de Janeiro, de 23 anos, que interpreta a sua própria canção - Sem Título. A primeira semifinal do Festival da Canção realiza-se no próximo domingo, na RTP.

Questionado sobre que conselhos dá às "dezenas de jovens" que se apresentam a concurso e querem "ser o Salvador", sorriu e aconselhou-os a estudar música.

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