Saiba qual é o livro com o título mais estranho

Até isto já tem direito a prémio. Este ano a disputa pelo primeiro lugar foi renhida.

Há prémios para tudo, até para o livro com o título mais estranho. Este, o prémio Diagram, é atribuído pela revista britânica The Bookseller desde 1978 e este ano distinguiu uma obra intitulada Too Naked for the Nazis (Demasiado Nus para os Nazis, em tradução literal), de Alan Stafford, sobre a carreira de um trio de vaudeville.

Este livro foi apresentado a concurso pelo próprio autor (o que lhe vale, por si só, uma garrafa de vinho clarete) e conquistou 24,8% dos votos dos leitores da revista.

Ligeiramente atrás (com 24,3%, e também nomeado pelo seu autor, ficou a obra Reading from Behind: A Cultural History of the Anus (Lendo de Trás: História Cultural do Anus).

A organização do prémio regista como positiva esta tendência de os escritores se nomearem a eles próprios, uma vez que acabam por promover o prémio. "Acho que os escritores perceberam que ganhar o Diagram pode significar um impulso na venda de dezenas ou até de centenas de cópias", diz Tom Tivnan, coordenador desta distinção.

O prémio foi criado em 1978 para quebrar a monotonia da Feira do Livro de Frankfurt. Desde então, só por duas vezes - em 1987 e 1991 - é que não foi atribuído. Porquê? Por falta de títulos estranhos no mercado.

Este ano esse problema não se registou. Entre os candidatos estavam, por exemplo, Transvestite Vampire Biker Nuns from Outer Space: A Consideration of Cult Film, de Mark Kirwan-Hayhoe, Soviet Bus Stops, de Christopher Herwig, ou Reading the Liver: Papyrological Texts on Ancient Greek Extispicy, de William Furley e Victor Gysembergh.

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João Gobern

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