Rui Horta lembra os "concertos" de Zé Pedro na praia, à volta da fogueira

O coreógrafo e bailarino, amigo de infância do guitarrista dos Xutos, lembra como começou uma amizade de mais de 50 anos.

"É um momento muito duro. Estou com muitas saudades. Acabei de mandar um e-mail para cem pessoas, as cem pessoas do nosso grupo da praia do Vau [no Algarve].", começa por dizer ao DN Rui Horta, com o tom de voz a atestar as suas palavras. "A relação que eu tenho com o Zé vem da nossa infância porque passámos sempre férias juntos desde a nossa infância até sermos adultos", partilha o coreógrafo e bailarino, de 60 anos. "As nossas famílias tinham casa na praia. Eram famílias muito grandes, a Santos Reis [de Zé Pedro], os Horta, os Valentim de Carvalho, os Lopes de Rosário, nós éramos oito e o Zé, eram sete irmãos. Aquele tempo era um tempo de uma grande poética, era uma espécie de selvajaria poética, aceite, tudo era possível para aquele grupo de miúdos do qual fazíamos parte. Ficávamos assim entregues a umas tias e a uns parentes afastados durante as férias de verão, os pais vinham passar umas semanas."

Foi nesses verões que Rui Horta assistiu, na primeira fila, por assim dizer, aos primeiros concertos de Zé Pedro. "Aí já tocava guitarra, à volta da fogueira, na praia, à noite. Os grandes momentos do Verão eram as fogueiras à noite, na praia, em que podiam ir os pequeninos e os graúdos, éramos muitos, mesmo, e o Zé tocava. A música que na altura ouvíamos eram os Doors, música folk e o início do rock, isto são memórias de antes do 25 de abril", situa. "Jogávamos muito à bola na praia. Era um tempo iluminado", resume.

A esta distância, Rui Horta considera que esses verões foram "um tempo de felicidade, um tempo que já não existe. Um paraíso que se perdeu porque agora aquilo está cheio de hotéis". A deixa para a faceta de ativista de Rui Horta à qual Zé Pedro não ficava indiferente. "Há um ano fui a casa dele gravar um clipe ao qual ele deu a voz, envolveu-se nesta luta contra a exploração de gás e petróleo na Costa Vicentina, da organização Futuro Limpo. Estava sempre pronto a ajudar. Usava a imagem dele por causas boas", conta.

Há cerca de mês e meio, o grupo do Vau voltou a encontrar-se e, sublinha Rui Horta, “até tivemos a coragem de voltar à Praia, num dos poucos pontos ainda virgens ali junto à Praia da Rocha, a Ponta de João de Arães, que é um sítio mágico". No entanto, já doente, "nem a a família nem o Zé estiveram presentes". "O Zé vem de uma família muito grande. Muito unida. Exemplar. Estiveram sempre com ele", faz questão de sublinhar.

Fica uma mágoa: “Ele tinha-me pedido para encenar o concerto dos Xutos no Campo Pequeno e eu não tive tempo. Gostava tanto de ter feito”.

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