"Quando não toco contrabaixo, fico doente. É como uma droga"

Confessa-se espantado por ter tocado com tantos dos melhores do mundo, nos tempos de Viena e Paris, mesmo quando trabalhava na rua. Acaba de lançar Gnosis, um novo disco do trio Lokomotiv que criou há 20 anos.

Aos seis anos cantarolava solos de Miles Davis e de Charlie Mingus, era o que se ouvia lá em casa. Teve formação clássica, a pensar no contrabaixo que o tinha fascinado quando assistiu ao Cascais Jazz, em 1972. Em Viena estudou com um dos melhores do mundo, e ganhou dinheiro a tocar na rua. Em Paris fez o mesmo mas nessa altura já só queria saber de jazz. O trio Lokomotiv, com Mário Delgado e José Salgueiro, toca no dia 22 no Titanic, em Lisboa, e a 6 de abril na SMUP, na Parede. Aos 60 anos, diz que continua a sentir-se uma criança.

Dedica-se exclusivamente ao jazz ou há ainda alguma coisa da música clássica na sua vida?

Não me considero um músico de jazz, sou um músico simplesmente. Gosto de toda a música e gosto de fazer perninhas e vasos comunicantes com todos os estilos musicais. Mas gosto sobretudo de improvisar.

O seu trio Lokomotiv faz agora 20 anos. Como se consegue conservar durante 20 anos uma formação de três músicos?

Lancei o convite há 20 anos ao Mário Delgado e ao José Salgueiro e eles aceitaram de bom grado. Desde aí temos estado a evoluir juntos. Até me parece impossível, passou tão depressa e fizemos tanta coisa... Estivemos praticamente em todo o mundo a tocar. Mudámos de estilo jazzístico várias vezes, mas têm sido 20 anos bastante ricos. E há a questão da amizade que se tem desenvolvido ao longo dos anos. Também temos muitas discussões, mas isso são as coisas dos bons amigos. Sempre que tocamos temos um gozo enorme. Todos nós também fazemos parte de outros projetos, o Mário e o Salgueiro tocam com muitas bandas. Mas é neste trio que sublimamos os nossos prazeres de tocar. É onde eles se sentem mais livres.

E o Carlos também?

E eu também.

Estão a lançar um disco, Gnosis, que só tem criações vossas. Como fizeram este disco?

O último que fizemos foi em 2011 e andávamos a dizer há dois anos que seria altura de fazer um disco novo, ainda por cima com a efeméride de fazermos 20 anos. Obrigámo-nos a compor e a escrever de propósito para um disco. Desde o ano passado que andamos nesta luta. Eu apareci com três temas meus, três composições já feitas - Lugar sem Lugar, Porta Líquida e Gnosis.

Que dá o nome ao cd.

Estes títulos são inspirados no poeta José Anjos, um grande amigo com quem tenho um trabalho de poesia e música. Roubei-lhe títulos de poemas, com a permissão dele, claro. Quis dar ao disco o título Gnosis porque significa a procura do conhecimento de si próprio, o conhecimento baseado em quatro pilares - a arte, a filosofia, a ciência e a religião. A religião não no sentido das igrejas oficiais, mas no sentido de religiosidade, de espiritualidade. O autoconhecimento adquire-se com a experiência, o que tem a ver com os 20 anos dos Lokomotiv, esta aprendizagem que temos tido juntos.

Tem composições do José Salgueiro, Percorrupto e Arriba, e do Mário Delgado, Tangram. E tem três composições dos três. Como acontece uma composição dos três?

Na música improvisada é simples, é ir para o estúdio e gravar, sem rede nenhuma. Não sabemos o que vai acontecer.

Não têm nenhum ponto de partida?

Há uma ideia base. Por exemplo, "neste tema vamos fazer uma caminhada lenta". Isto pode querer dizer muita coisa.

Corrida Lenta, é como se chama esse tema.

No estúdio eu disse "vamos fazer uma coisa tipo uma caminhada lenta". O Mário Delgado é que sugeriu esse título. Cada um desses três temas tem uma caraterística própria mas é totalmente improvisado e vai ao sabor daquilo que acontece.

Como chegam a um título como Cair com as mãos nos bolsos?

Esse foi ao contrário. Depois de termos gravado o tema, o Mário achou que era uma espécie de trapalhada, uma pessoa ou está a andar ou a fazer o pino, e pode cair a qualquer momento. Ele lembrou-se desta de cair com as mãos nos bolsos. É uma imagem curiosa.

E depois há o Trapézio do Catrapázio.

É uma onomatopeia para um tema muito salpicado com notas, uma coisa muito free. Catrapázio faz lembrar as sonoridades que estávamos a tocar. E trapézio porque aquilo anda de um lado para outro.

É curtinho, só tem um minuto e meio, é o tema mais curto.

Sim, é curtinho.

Continua a pintar?

Não muito. Estou com muitos projetos musicais diferentes, oito, nove ou dez projetos em que colaboro, e não tenho muito tempo. Em casa não tenho um espaço para a pintura, e ainda por cima gosto de fazer formatos grandes. Não tenho espaço nem tempo. A minha profissão é a música, pintar é um hobby. Mas tenho saudades.

Como consegue compartimentar isso de estar em tantos projetos diferentes?

Há sempre espaço. Para todos estes projetos é preciso fazer ensaios, passo a vida a correr de ensaio para ensaio, e depois vai sempre aparecendo um concerto ou outro em cada. Consigo conjugar tudo, felizmente.

Cresceu a ouvir música clássica e jazz?

Nasci a ouvir jazz e música clássica.

Uma vez disse-me que não sabia se tinha sido concebido a ouvir jazz.

Já não me lembrava de ter dito isso mas é muito possível.

Era o ambiente da casa?

O meu pai era um fanático do jazz e de música brasileira, e também de alguma música portuguesa, tipo Carlos Paredes e Amália Rodrigues. Ouvia-se muito boa música em casa, a minha mãe era mais do lado da clássica, mas claro que depois converteu-se também aos outros estilos musicais. O meu pai sempre punha a música altíssimo aos fins-de-semana, passava os dias em casa e os vizinhos tinham que ouvir. Isso trouxe-me recordações muito fortes. Há solos do Miles Davis ou do Charlie Mingus, aqueles grandes génios do jazz, que nós ouvíamos. Recordo-me perfeitamente dos solos dele, tenho-os de cor desde os seis anos, cantarolava-os. Isso deixou-me marcas para toda a vida.

O que quer dizer que não se dedicou ao rock?

Não se ouvia em casa. Isso foi mais a partir da adolescência, com os amigos, no liceu. Aí comecei a ouvir outras coisas. As minhas irmãs gostavam dos Beatles e dos Rolling Stones. Claro que também comecei a ouvir. Mas sempre estive mais naquele banho da música erudita e do jazz.

E foi para a formação clássica, para o Conservatório?

Mas fui já com a ideia do jazz. Tinha havido os festivais de jazz de Cascais, que começaram em 1971. Eu não fui ao primeiro.

Porque era muito novinho, tinha 14 anos?

No primeiro tinha 14 anos e o meu pai não me deixou ir. Ele foi mas disse - "primeiro vou ver como é aquilo e se tudo correr bem para o ano já vais".

E quem é que perdeu?

Perdi grupos incríveis, o Miles Davis, o Ornette Coleman, os Giants of Jazz com o Thelonius Monk, o Dizzie Gillespie...

Isso é imperdoável.

Nunca perdoei ao meu pai. No segundo festival já fui, precisamente para ver os contrabaixistas. Aquilo bateu-me de uma certa maneira, não sei porquê. O contrabaixo, a sonoridade. "É isto que eu quero fazer". Entrei no Conservatório com a ideia de ser músico de jazz. Comecei a estudar música clássica e mudei um pouco a minha direção - "se calhar é isto que quero ser".

No Conservatório havia formação em jazz?

Não. Entrei no Conservatório para aprender o instrumento, formação musical e tudo isso.

Piano?

Também tive piano para não pianistas e todas aquelas cadeiras teóricas - composição, acústica, tudo aquilo. Entrei nesse banho da música erudita e comecei a gostar, a fazer música de câmara. Quando acabei o Conservatório entrei para a Orquestra Sinfónica da RDP, como se chamava então, e que mais tarde foi extinta.

A tocar o quê?

Contrabaixo. Já tinha estado na Áustria. Tirava licenças sem vencimento da orquestra e ia para Viena. Um dia decidi fazer música improvisada e quis ir para Paris. Fui mais uma vez pedir uma licença sem vencimento ao maestro e ele não ma concedeu, disse que tinha o naipe dos contrabaixos muito desfalcado. Então despedi-me, em 1984. Fui para Paris e nunca mais deixei de seguir a direção que quis para a minha vida - a música improvisada.

Quando esteve em Viena estudou música clássica?

Em Viena tive um grande professor, um grande mestre do contrabaixo, Ludwig Streicher, que faleceu há uns anos, um dos melhores contrabaixistas do mundo. Tocava como solista concertos para contrabaixo e orquestra. Esteve cá a fazer uns cursos de verão, que frequentei, gostou de mim e convidou-me para ir estudar com ele para Viena. Na altura eu estava mais virado para a música clássica, fascinado com ele e com aquela vida musical de Viena.

Aquilo respira-se, entra quase por osmose?

Toda a gente toca música. Eu passava com o contrabaixo na rua ou no metro e toda a gente se metia comigo.

E tocava na rua?

Era para ter uma bolsa da Gulbenkian e à última hora tiraram-me o tapete dos pés, mas eu não queria deixar de ir para Viena. Fui sem saber o que me ia acontecer em termos financeiros e comecei a tocar na rua.

Dava para pagar as contas?

Dava sim. Havia uma rua pedonal, junto à Academia, onde muitas formações tocavam e as pessoas ficavam a ouvir. Punham moedas e até notas. Durante uns meses, até foi bastante bom. Com o tempo, comecei a tocar em formações tanto de jazz como de música clássica, fiz um pouco de tudo.

Como é estudar com um grande, um dos melhores do mundo?

No início eu não falava alemão. Tinha quatro horas de língua na Academia, mas todas as disciplinas teóricas - composição, história da música - eram em alemão. Era assim que funcionava. Não sabes falar, vais aprendendo. A princípio não pescava nada mas rapidamente comecei a aprender. As aulas com o mestre eram bastante exigentes, tínhamos de estudar seis horas por dia no mínimo, se não ele não ficava contente e passava-nos para os assistentes. Muitas vezes eu não tinha tempo para estudar, com tantas disciplinas e com as necessidades profissionais - tocar com este grupo, com o outro e com o outro, e depois tocar nos clubes até às três da manhã e às 8:30 tinha de estar na Academia. Por vezes dormia duas horas por noite. O rendimento não podia ser o melhor.

É uma daquelas coisas que se fazem aos vinte e tal anos?

É verdade, não me arrependo nada, foi das fases mais ricas da minha vida. Chegava a fazer 18 horas de música por dia. Durante dois anos foi assim

Depois voltou?

Decidi regressar.

Esteve em Portugal mas foi para Paris. Também sem bolsa?

Sentia-me muito frustrado em Lisboa. Foi pouco tempo depois do 25 de Abril, em 1982. Tinham passado oito anos de vida cultural, o nosso país estava no marasmo. Decidi ir para Paris e também foi um pouco à aventura.

Aí foi mesmo à aventura.

Sim. Recorri ao mesmo expediente de ir tocar para a rua, encontrei músicos com quem me identificava, que estavam a tocar jazz e comecei a tocar com eles. Pouco a pouco foi uma bola de neve. Conheci músicos interessantes, a tocar em clubes de jazz e a coisa começou a compor-se.

Foi aí que deixou a clássica?

Foi. E conheci músicos incríveis, bastante famosos em termos mundiais, vindos de Nova Iorque. Foi estar no sítio certo na hora certa.

Quem eram esses músicos?

Muita gente. O Lee Konitz. o Steve Lacy, o Mal Waldron, muita gente. Tenho uma lista no meu currículo que se pode encontrar facilmente na internet. Até fico admirado como é que toquei com aquela gente toda.

Mantem ligação com eles, algum contacto?

Não, e vários deles já faleceram. Se os encontrar por aí, vou ter com eles e recordam-se de mim. De vez em quando escrevem-me e perguntam como podem vir tocar a Portugal, mas não sei como é que hei de fazer isso. Estou muito ocupado com estes projetos todos e são músicos com quem eu toquei nos anos 1980 e 1990, que praticavam um jazz mais mainstream, e eu também já não estou muito para aí virado.

Quer dizer que o Gnosis já não tem que ver com o que fazia há 29 anos?

Nem com o mainstream nem com o que fazia há 20 anos.

O que mudou? Há uns anos eu achei que o seu disco Lokomotiv [2003] era áspero e não me insultou muito por dizer isso.

Esse disco foi de viragem, eu estava bastante cansado do que tinha feito anteriormente e estava com a mania de a cada disco novo fazer diferente, mesmo para mim. Tentei fazer uma coisa mais revolucionária e as sessões não correram especialmente bem, não fiquei muito satisfeito com esse disco. Mas o disco saiu, há pessoas que gostam dele. Mas estou de acordo quando diz que o disco era áspero. Não é dos meus favoritos. O anterior sim, o Radio Song, é um disco bonito. Depois disso retifiquei o tiro.

Com os mesmos comparsas?

Sempre, e eles sempre alinharam nos meus desvarios. Tenho a agradecer-lhes isso, porque se eu me atirasse a um poço eles vinham atrás, "vamos embora". Tenho aqui dois amigos, gosto imenso deles por tudo isso.

É diferente tocar com estes cúmplices ou com as outras formações?

Sim.

Mas com os outros projetos também há sempre algo em comum?

Sempre que entro num projeto é porque me sinto identificado. Mas o que se passa com o nosso trio, os Lokomotiv, é que nós já temos uma espécie de telepatia entre nós. Podemos arriscar e acontecem sempre coisas boas. É um risco mas chega-se sempre a bom porto, e eu só consigo fazer isso com eles, não consigo fazer isso com mais ninguém, porque já nos conhecemos tão bem, pela experiência passada juntos. Em todas as minhas tentativas de mudança de direção, de em cada disco novo querer fazer uma coisa nova - nova para mim, não quer dizer que seja nova em termos gerais - eles sempre me apoiaram nisso. Toda a nossa música é construída nesse pressuposto do risco, e não consigo encontrar isso com mais ninguém.

Como é hoje o ambiente do jazz em Portugal? Há muitas escolas, há mais gente envolvida, há gente mais nova?

Há muitas escolas, muitos músicos jovens a sair dessas escolas e tocam bastante bem. Eles têm acesso à informação de uma forma que nós não tínhamos há 30 ou 40 anos, com a internet, com o aparecimento das fnacs. Agora compra-se discos em qualquer sítio. Eles têm ferramentas que fazem que apareça tanta gente - a minha pergunta é onde é que esta gente toda vai trabalhar? Deveria haver mais clubes de jazz, pelo menos para os jovens poderem desenvolver as suas aptidões, a sua música. Existem mais festivais de jazz, com certeza. Não é um tipo de música comercial, vender é a parte difícil, e a parte da divulgação também é difícil.

O jazz em Portugal teve uns iniciadores, um núcleo muito identificável, e hoje é uma coisa mais disseminada.

A minha foi a primeira geração de músicos de jazz profissionais. Antes de nós havia pessoas que tocavam mas tinham outras profissões. Não se podia encarar a profissão de músico de jazz seriamente, não havia forma de. Eu, o Laginha, o Bica, o Carlos Martins, o Tomás Pimentel, éramos poucos mas isto sucedeu nos anos 1990, foi o boom do jazz. Começámos a trabalhar profissionalmente, começaram a aparecer festivais, éramos convidados para tocar em auditórios das câmaras municipais. Tínhamos muito trabalho, mais do que hoje.

Porquê?

Não sei, parecia que toda a gente tinha descoberto o jazz e ia mostrar a todo o lado, formação de públicos, etc. Agora há tantos músicos, tanta gente a querer tocar e não há espaço para todos.

Hoje sente que é uma espécie de pai deles, falam consigo com reverência?

Sim, hoje há uma coisa muito curiosa quando conheço músicos jovens, aparecem de todos os lados, vêm-me chamar mestre. Isso para mim quer dizer que já estou velho. É curioso.

Podia sentir isso como uma coisa boa.

Sim, é uma coisa boa, mostra que os jovens têm respeito pelas pessoas mais velhas e sabem de onde eu venho, vão informar-se do que fiz. Mas eu não me sinto velho, de todo. Continuo a ser uma criança, apesar de o físico já não acompanhar tão bem. Mas sinto-me muito bem, o físico está impecável.

Continua a trabalhar muitas horas por dia?

Sempre que posso. Quando não estou com o instrumento de uma forma diária parece que fico doente. É como uma droga, só que uma droga boa. Não consigo estar mais do que dois ou três dias sem pegar no instrumento, começo a ficar maluco.

Pode tocar em casa?

Toco em casa, as minhas quatro horinhas diárias sempre que posso, umas vezes mais outras vezes menos. É uma necessidade que vem cá de dentro.

Não é um instrumento tão portátil como outros. Não é tão pesado como um piano mas não é muito portátil.

Agora é tarde para mudar...

Para o violino?

Ou uma harmónica, uma flauta. É o instrumento de que eu gosto.

Quantos tem?

Neste momento tenho dois, um acústico e um eletroacústico, um contrabaixo que quase não tem corpo. Tem um corpo acústico muito fininho e é para situações mais elétricas.

Como os escolheu?

É difícil de dizer. O contrabaixo acústico tenho-o há mais de 20 anos.

Mas quando o escolheu foi entre vários?

Os instrumentos, no caso do contrabaixo, não se compram novos. É ao contrário: quanto mais antigo melhor. Se são muito antigos podem não estar bem conservados mas, se for muito antigo e bem conservado, a madeira está muito mais seca e o som tem mais personalidade. Foi por acaso. Quando tenho problemas com o instrumento levo-o ao luthier, o senhor Rodrigues que já se reformou. Fui lá consertar um instrumento meu e ele tinha um à venda. Logo pelo aspeto vi que era um bom instrumento, depois experimentei-o e fiquei bastante seduzido pela personalidade do som. Estava a precisar de ter um instrumento em condições e acho que fiz um empréstimo bancário.

Quanto custa?

É muito variável, mas pode custar 20 mil euros, 30 mil, 50 mil, 100 mil.

É mesmo preciso um empréstimo bancário.

É quase como comprar uma casa.

E o outro contrabaixo, o elétrico?

Foi feito por um construtor que conheço pessoalmente. Pertencia a um baixista que queria vendê-lo e estava exposto numa loja de música. Achei curioso e experimentei-o, depois afinal ele não o queria vender. Passaram uns anos e ele contactou-me. Tive que fazer umas alterações porque estes instrumentos elétricos não têm um corpo grande, em termos de ergonomia torna-se muito complicado porque é um instrumento muito magrinho. Tive que desenhar e criar umas hastes para ter a sensação de estar a tocar um instrumento.

Isso não influencia o som?

Nada, é só em termos de ergonomia, para ter a sensação, para ter onde agarrá-lo. Eu gosto muito de tocar com o arco, tenho de ter uma ergonomia. Gostei muito desse instrumento e fiquei com ele.

E não tem medo de que se estraguem?

Sempre.

Por exemplo, em viagem?

Para viagens ao estrangeiro já não levo nenhum instrumento, peço sempre para arranjarem um.

Mas pode aparecer um que não é grande coisa.

E acontece, mas hoje há formas de contornar esse problema.

O que está fazer agora? Concertos com o Gnosis?

Sim, dia 22 de março no Titanic, no Cais do Sodré, vai ser um concerto Antena 2, às 22:30. Depois a 6 de abril na SMUP, na Parede, um espaço gerido por uma associação jovem, estão a criar uma dinâmica muito boa para a música criativa. E temos mais coisas de que não me lembro agora.

E sempre os outros projetos em que está metido?

Sim, mas hoje estou aqui para falar dos Lokomotiv. Espero que possamos tocar mais 20 anos.

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