PSD questiona ministro sobre situação no Museu de Arte Antiga

Se respostas não forem satisfatórias, sociais-democratas vão chamar Luís Filipe Castro Mendes à Assembleia da República

O grupo parlamentar do PSD entregou ontem na Assembleia da República uma pergunta ao ministro da Cultura Luís Filipe Castro Mendes, para esclarecer dúvidas sobre a situação do Museu Nacional de Arte Antiga. A iniciativa dos deputados sociais-democratas surgiu no dia em que o DN revelou a carta de desculpas que o diretor do museu, António Filipe Pimentel, enviou à tutela, após as suas declarações na sexta-feira, durante a Escola de Quadros do CDS, em que alertou para as condições do MNAA, salientando que "um destes dias há uma calamidade no museu".

No documento, a que o DN teve acesso, são colocadas quatro questões em concreto ao ministro da Cultura. As primeiras três relacionam-se diretamente com a situação vivida no museu: "Quais são os problemas e necessidades que o Museu Nacional de Arte Antiga enfrenta atualmente?; São legítimas as preocupações tornadas públicas pelo Sr. Diretor do MNAA? Caso o sejam, que medidas, e em que prazo, tenciona tomar para reverter a grave situação agora denunciada?". A última questão prende-se com a continuidade de Pimentel à frente do principal museu nacional: "Afirmou na comunicação social que "para já" não pretende substituir o Sr. Diretor do MNAA indiciando que não põe de parte fazê-lo. Ponderou essa possibilidade e, se sim, com que fundamentos?".

Considerando que "as desculpas não evitam calamidades anunciadas", o deputado do PSD Sérgio Azevedo adiantou ao DN que, "se as respostas não forem satisfatórias, vamos pedir a presença do sr. ministro no Parlamento para esclarecer todas as dúvidas".

Quanto aos restantes grupos parlamentares, o PCP não quis fazer qualquer declaração sobre o assunto e tanto BE como PS não estiveram disponíveis para falar. Para Teresa Caeiro, do CDS, "o incidente está esclarecido", dizendo aguardar com expectativa a apresentação do Orçamento de Estado para 2017 para aí e "numa lógica mais abrangente falar sobre a política cultural do Governo".

O gabinete do ministério da Cultura, contactado pelo DN, não comenta a carta que foi enviada pelo diretor do MNAA, na qual António Filipe Pimentel admitiu as suas afirmações, "embora descontextualizadas" e diz não ter "dúvidas sobre a sua manifesta inoportunidade, se retrospetivamente observadas e com olhos e ouvidos descomprometidos, justamente os de quantos a leram e ouviram". O ministro regressou ontem do Brasil, onde esteve em visita oficial com o primeiro-ministro, mantendo-se para já inalterada a intenção de chamar a despacho o diretor do MNAA, que nos próximos dias está fora, em Paris, em trabalho.

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