Português Marco Martins na secção Horizontes de Veneza

Filmes de Tom Ford, Kusturikca e Malick na competição oficial do festival, hoje anunciada.

São Jorge, o novo filme de Marco Martins, vai estar na seleção oficial do 73º Festival Internacional de Cinema de Veneza - Competição Internacional Orizzonti, uma secção competitiva parelela, com filmes mais experimentais, do festival que se realiza entre 31 de agosto e 10 de setembro.

De acordo com o comunicado da produtora, Filmes do Tejo, São Jorge é um olhar sobre os anos de intervenção da troika em Portugal e a crise financeira que atingiu o nosso país. "Cruzando a ficção com o documentário (fazendo uso de um vasto elenco de atores não profissionais) o filme centra-se na história de um boxeur, desempregado de longa duração que aceita um emprego numa empresa de cobranças difíceis, para pagar as suas próprias dívidas".

O ator Nuno Lopes, que já tinha trabalhado com Marco Martins em Alice, volta a ser protagonista neste São Jorge. Beatriz Batarda, Gonçalo Waddington, Carla Maciel e Mariana Nunes também fazem parte do elenco.

Na secção Horizontes, Marco Martins vai competir com filmes como Ce qui nous éloigne, de Wei Hu, com Isabelle Hupert (França), ou Samedi Cinema, de Mamadou Dia (Senegal). Veja a lista completa dos filmes nesta secção no site oficial da Bienal.

Ainda de acordo com a produtora, este filme será o único representante português no certame e assinala ainda o retorno do realizador ao Festival de Veneza depois de a curta-metragem Um Ano Mais Longo, escrita em parceria com Tonino Guerra, ter estado na competição oficial em 2006.

No entanto, haverá ainda mais dois filmes em Veneza co-produzido pelo português Paulo Branco (Leopardo Filmes): Os belos dias de Aranjuez, do realizador alemão Wim Wenders (em competição) e A Jamais, de Benoit Jacquot, que será mostrado fora de competição.

O Festival de Veneza abre com La La Land, de Damien Chazelle, com Ryan Gosling e Emma Stone, que será apresentado em competição. A fechar, será exibido The Magnificent Seven, de Antoine Fuqoa, já fora de competição.

Esta é a lista, hoje divulgada, dos filmes que vão estar em Veneza:

Em competição (seleção oficial):
The Bad Batch, Ana Lily Amirpour (EUA)
Une Vie, Stéphane Brizé (França/Bélgica)
La La Land, Damien Chazelle (EUA.)
The Light Between Oceans, Derek Cianfrance (EUA/Austrália/Nova Zelândia)
El Ciudadano Ilustre, Mariano Cohn, Gaston Duprat (Argentina/Espanha)
Spira Mirabilis, Massimo D"Anolfi, Martina Parenti (Itália/Suiça)
The Woman Who Left, Lav Diaz (Filipinas)
La Region Salvaje, Amat Escalante (México)
Nocturnal Animals, Tom Ford (EUA)
Piuma, Roan Johnson (Itália)
Paradise, Andrei Konchalovsky (Rússia/Alemanha)
Brimstone, Martin Koolhoven (Holana/Alemanha/Bélgica/França/Reino Unido/Suécia)
On The Milky Road, Emir Kusturica (Sérvia/Reino Unido/EUA)
Jackie, Pablo Larrain (EUA/Chile)
Voyage Of Time, Terrence Malick (EUA/Alemanha)
El Cristo Ciego, Christopher Murray (Chile/France)*
Frantz, François Ozon (França)
Questi Giorni, Giuseppe Piccioni (Itália)
Arrival, Denis Villeneuve (EUA)
Les Beaux Jours D"Aranjuez, Wim Wenders (França/Alemanha)

Fora de competição:
The Young Pope (episodes 1&2), Paolo Sorrentino (Itália/França/Espanha/EUA)
The Bleeder, Philippe Falardeau (EUA/Canadá)
The Magnificent Seven, Antoine Fuqua (EUA)
Hacksaw Ridge, Mel Gibson (EUA/Austrália)
The Journey, Nick Hamm (Reino Unido)
A Jamais, Benoît Jacquot (França/Portugal)
Gantz: O, Yasushi Kawamura (Japão)
The Age Of Shadows, Jee-woon Kim (Coreia do Sul)
Monte, Amir Naderi (Italy/U.S./França)
Tommaso, Kim Rossi Stuart (Itália)

Documentários:
Our War, Bruno Chiaravalloti (Itália/EUA)
I Called Him Morgan, Kasper Collin (Suécia/EUA)
One More Time With Feeling, Andrew Dominik (Reino Unido)
Austerlitz, Sergei Loznitsa (Alemanha)
Assalto Al Cielo, Francesco Munzi (Itália)
Safari, Ulrich Seidl (Áustria/Dinamarca)
American Anarchist, Charlie Siskel (EUA)
Planetarium, Rebecca Zlotowski (França/Bélgica)

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.