Portugal volta à Trienal de Milão. Com alunos e mestres

Objects after Objects é o tema da representação portuguesa na 21.ª edição da exposição. Começa no dia 2 de abril e junta nomes consagrados e a nova geração

Design after design é o tema da 21.ª edição da Trienal de Milão. Portugal retoma a sua participação este ano, num trabalho comissariado por José Bártolo, curadoria de Roberto Cremascoli e Maria Milano, e a participação ativa de designers e arquitetos da nova geração, 13 mestres da arquitetura e uma turma de alunos de mestrado da Escola Superior de Artes e Design (ESAD) de Matosinhos. A representação portuguesa estará no Museu de Ciência e Tecnologia Leonardo Da Vinci, entre 2 de abril e 12 de setembro.

Há um programa e cinco módulos para falar de objetos depois dos objetos (Objects after Objects), o assunto o comissário quis pôr sobre a mesa. Por um lado, "questionar o futuro e o papel da arquitetura e do design", por outro procurar referências históricas e "estabelecer a ponte com a edição de 1968, a edição-fantasma". Nesse ano, o dos movimentos estudantis, uma das exposições abriu portas parcialmente destruída. "É um contexto de transformação política que tem pontos de contacto com a realidade que se vive", afirmou o comissário José Bártolo em conferência de imprensa, ontem à tarde, no Palácio Nacional da Ajuda, ladeado pela secretária de Estado da Cultura, Isabel Botelho Leal, e o comissário Roberto Cremascoli.

13 arquitetos, 13 entrevistas

A ideia de escola é central no projeto, explicita Bártolo, começando no módulo 13 Habitats, série de entrevistas a 13 arquitetos, 13 mestres da arquitetura - Adalberto Dias, Alexandre Alves Costa, Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura, Gonçalo Byrne, João Mendes Ribeiro, José Adrião, José Carlos Loureiro, João Luís Carrilho da Graça, José Manuel Carvalho de Araújo, Manuel Aires Mateus, Manuel Graça Dias e Sérgio Fernandez. Adrião, o arquiteto cujo filme foi exibido, explica a casa onde vive, num processo idêntico aos dos demais arquitetos.

No extremo oposto do arquiteto como mestre está o módulo "O Objeto Reinventado", uma reflexão sobre o objeto levada a cabo por estudantes de mestrado em design de Interiores da ESAD a partir de três workshops, orientados pelos arquitetos Paolo Deganello e João Mendes Ribeiro e o designer Fernando Brízio. "A escola tem subjacente a ideia de escola em oposição à de fábrica, de repetição mecânica. No laboratório, questiona-se", considera. Interessava-lhe o "processo", mais do que o objeto concreto que deste trabalho pudesse sair.

A estes módulos acrescenta-se Extemporary Capsule, uma instalação efémera construída por alunos da ESAD e alunos do Politécnico de Milão, e dois outros dedicados às novas práticas da arquitetura e do design. Por aqui se encontrará um dos projetos recentemente premiado pelo site especializado em arquitetura Archdaily, a cozinha de Terras da Costa, do Ateliermob (os arquitetos Tiago Saraiva e Andreia Salavessa) ou projetos do gabinete Moradavaga e FAHR 021.3. "Exemplos de práticas da arquitetura e intervenção social" e "de designers comprometidos com o real", justifica Roberto Cremascoli, milanês a viver em Portugal há mais de 20 anos.

O arquiteto conta que o programa criado para os 225 metros de mostra no Museu da Ciência e Tecnologia Leonardo Da Vinci, entre o Canadá e a Argélia, é um trabalho de "internacionalização da arquitetura portuguesa". É um ano particularmente rico para a disciplina.

Siza em Roma

Além de Milão, há a exposição Os Universalistas. 50 Anos de Arquitetura Portuguesa, assinalando o meio século da fundação Gulbenkian, em Paris, a Bienal de Veneza terá Siza Vieira, e uma outra exposição em torno da obra do primeiro Pritzker português no MAXXI, em Roma. O ano termina com mais uma edição da Trienal de Arquitetura, em Lisboa.

O design expositivo é da Design Factory, uma empresa ligada à RAR Imobiliária (por sua vez descendente da empresa de açúcar), que nasceu com a ESAD, e parte da ideia "poética" de desperdício têxtil, como explica Maria Ramalho Fontes, que tem trabalhado no projeto com Azahara Montenegro, uma espanhola de Vigo. Com este material trabalharam, em camadas, o desenho dos cinco módulos que começam a ser montados em Milão na próxima segunda-feira. A apresentação acontece no dia 1 de abril, abre ao público no dia 2. Ao todo, estão representados cerca de 50 países.
José Bártolo explicou que a participação portuguesa vai concretizar-se em seis etapas, "que, no seu conjunto, se tornam num manifesto das práticas emergentes de projeto, partindo do tema geral da trienal, do texto programático dos comissários, e da compreensão nacional das questões aí colocadas". A secretária de Estado da Cultura, Isabel Botelho Leal, sublinhou a abordagem inovadora do projeto, reveladora de uma riqueza na diferenciação da produção que se vai refletir na economia.

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