População da ilha do Corvo colabora em BD sobre resistência a invasão pirata

A população do Corvo, a mais pequena ilha dos Açores, é convidada este sábado, 9 de janeiro, a recriar e analisar momentos sobre a resistência à invasão de piratas berberes que serão posteriormente retratados em banda desenhada (BD).

O encontro, que integra várias ações, "visa levar a população a participar no processo criador de uma narrativa sobre a resistência dos corvinos à invasão de piratas berberes, ocorrida em 1632, considerada um dos mais significativos episódios históricos da ilha", segundo a Direção Regional da Cultura.

Os corvinos atribuem a Nossa Senhora dos Milagres essa importante vitória, presente em diversas manifestações culturais na comunidade.

A iniciativa, promovida pela direção regional, através do Ecomuseu do Corvo, realiza-se pelas 20:30, no centro de convívio da Santa Casa da Misericórdia do Corvo, num encontro entre a população e José Ruy, "um dos maiores mestres da banda desenhada portuguesa".

Segundo esta direção, os habitantes do Corvo terão "oportunidade de conhecer José Ruy, a sua arte e forma de trabalhar, enquanto o autor conhecerá a ilha e os corvinos, recolhendo ideias e contributos para a narrativa, numa interação de que resultará uma obra de banda desenhada que vai registar para o futuro um importante património histórico-cultural da população do Corvo".

Esta iniciativa faz parte das atividades do Ecomuseu do Corvo, um projeto que fez em 2015 um ano e tem como princípio uma participação permanente da população, disse o diretor regional da Cultura, Nuno Lopes, em declarações à agência Lusa, lembrando que o projeto compreende várias etapas, como a construção do edifício, a reabilitação urbana e a interação da população do Corvo em várias atividades.

Nuno Lopes referiu que o projeto não se limita a um espaço físico tradicional de visitação, mas envolve um "conjunto de intervenções" que abrangem quase toda a ilha, criando-se uma estrutura que apela à participação da população.

Segundo o responsável, o Ecomuseu do Corvo "não é um museu tradicional, no sentido de ter peças em exposição, mas um conjunto de atividades e ações em que as pessoas são convidadas, neste caso com a administração regional e autárquica".

O maior interesse cultural é a forma de vivência na própria ilha do Corvo, os costumes, os usos, as pessoas, as suas histórias, afirmou Nuno Lopes. Uma vivência que Gonçalo Tochas registou em documentário.

José Ruy Pinto estreou-se como desenhador e autor dos textos com 14 anos, tendo entrado em 1941 para a escola António Arroio, onde frequentou o curso de Belas-Artes.

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