Pimpampum. O rap de Capicua feito lengalenga para os miúdos

A rapper estreia-se na música para crianças. Estas responderam-lhe esgotando os espetáculos.

Lembra-se de Vayorken, a canção sobre o sítio de onde é a Jane Fonda e onde a gente se diverte imenso? "Escrevi o refrão a pensar: 'Se eu tivesse 10 anos o que é que eu escrevia?' Escrevi aquele. Era eu a tentar pôr-me em mim própria com 10 anos." Desta vez, altura do seu primeiro concerto para crianças, a rapper Capicua, hoje na casa dos 30, voltou a pensar no que gostaria de dizer e ouvir se fosse uma criança de 6 ou 10 anos.

O convite foi feito pelo Teatro São Luiz, Lisboa. E, de certo modo, o espetáculo que daí resultou, Mão Verde, veio juntar a fome à vontade de comer. Pois "há muito tempo" que a rapper "tinha a ideia de fazer um livro para crianças com lengalengas sobre ecologia, agricultura, alimentação". Serão esses os temas em torno dos quais a voz de Capicua e a música de Pedro Geraldes, dos Linda Martini, se movimentarão a partir de amanhã e até domingo no Teatro-Estúdio Mário Viegas (paredes-meias com o São Luiz). Quer para as escolas quer para o público em geral, todas as sessões - incluindo uma data extra - esgotaram.

As lengalengas vêm de trás. De quando ela talvez só se virasse na rua ao ouvir "Ana", o seu nome de nascença. "Desde miúda que gosto de lengalengas e de rimas, jogos de palavras, trava-línguas. O meu pai diz palavras ao contrário..." Como sumás de ananol? "Esse tipo de coisas, e lengalengas desde o pimpampum, cada bala mata um até... sei lá, há vinte mil."

E quando já não se esperava, no sotaque bem marcado do Porto, ela começa assim: "A criada lá de cima é feita de papelão,/ quando vai fazer a cama diz assim para o patrão: Sete e sete são catorze, / Com mais sete vinte e um, / Tenho sete namorados / E não gosto de nenhum."

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.