Photo España arranca hoje com a Europa na mira

Jorge Molder, em Madrid, e Daniel Blaufuks, em Saragoça, são os portugueses representados no maior festival de fotografia e artes visuais de Espanha. A Europa é o tema da 19.ª edição, que arranca hoje.

Houve um momento, há três edições, em que o PHotoEspaña decidiu pensar lugares. Primeiro Espanha, depois a América Latina, este ano a Europa. "Não sabíamos que seria um tema tão urgente", afirma a diretora do evento, Maria García Yelo, assim que começa a sua apresentação à imprensa internacional, ontem, sublinhando o que é evidente no momento em que se debate o futuro político da União Europeia, a crise dos refugiados, a política económica.

Maria García Yelo explica as premissas do programa do festival, que arranca hoje em Madrid (e não só) e se prolonga até 28 de agosto: "Não queríamos uma panorâmica da história da fotografia europeia, mas grupos de artistas que não tínhamos podido concentrar em Espanha".

Uma dessas exposições é European Portrait Photography since 1990 (Retrato fotográfico europeu desde 1990), no CentroCentro, que mostra o trabalho de 22 fotógrafos. As obras escolhidas começam na década de 90, após a queda do muro e no advento da Internet, e entre elas estão três imagens da série A Escala de Mohs do português Jorge Molder.

Esta exposição começa onde termina a outra grande mostra dedicada à Europa: Transitions. Ten Years that Tranformed Europe (Transições. Dez anos que transformaram a Europa), a partir do acervo da coleção Motelay. O ponto de partida é o momento em que Margaret Thatcher chega ao poder, em 1979, e termina precisamente na queda do muro de Berlim em 1989. E é também o momento em que os fotógrafos começam a afirmar-se como artistas. Aqui, há 28.

A segunda premissa para o festival, segundo Garcia Yelo, foi "pagar a dívida com alguns artistas, históricos e contemporâneos". "Os que ainda não tinham sido mostrados em Espanha ou que ainda não tinham sido mostrados o suficiente", diz. O resultado é uma forte presença feminina, da norte-americana Louise Dahl- Wolfe à espanhola Juana Biarnés, passando pela alemã Lucia Moholy. "Não partimos de um ponto de vista feminista, mas acabámos num lugar feminista", resume.

A apresentação decorre na sede da editora La Fabrica, quartel-general da PHoto España (PHE), na Calle Verónica, perto do Museu do Prado, do Caixa Fórum Madrid e a poucos minutos a pé do Círculo de Bellas Artes, do CentroCentro, da Casa América e do Museu Thyssen - a zona cultural, por excelência. Uma série de placas com letras preta, o símbolo da PHotoEspaña anunciam o evento. É território neutro já que o programa deste ano se espalha por 52 locais, onde se vão realizar 94 exposições e 16 atividades (para profissionais e público em geral. Participam 330 artistas nesta 19.ª edição.

PHoto España nasceu em 1998 como festival internacional de Fotografia e Artes Visuais para mostrar o que de melhor se faz nestas disciplinas. Já realizou mil exposições e tem estendido a sua influência a cidades fora de Madrid, como Alcalá de Henares, Alcobendas, Lanzarote e Saragoça, onde, este ano, poderá ser visto Toda a Memória do Mundo. Parte um, que o artista português Daniel Blaufuks mostrou em 2015 no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado.

Múrcia e Segóvia juntam-se este ano a este projeto que já estendeu os braços até outras cidades do velho continente (decorrem exposições em Dublin, Bratislava, Istambul, Londres, Helsínquia, Moscovo, Paris, Riga, Roterdão e Varsóvia) e, com o fórum Transatlántica, até à América Latina. Deste, foram retirados de 14 portfólios que revisitam a edição de 2015, na Cidade do México e em Santiago do Chile, com a exposição Cartografias íntimas, uma abordagem a relações interpessoais. Os trabalhos expostos, a partir da curadoria de Fabian Gonçalves Borrega, podem ser vistos na Casa de América e pretendem fazer o paralelo entre a cartografia e a fotografia, experiências que evocam o real, sempre com um intermediário.

Exclusivos

Premium

Crónica de Televisão

Os índices dos níveis da cadência da normalidade

À medida que o primeiro dia da crise energética se aproximava, várias dúvidas assaltavam o espírito de todos os portugueses. Os canais de notícias continuariam a ter meios para fazer directos em estações de serviço semidesertas? Os circuitos de distribuição de vox pop seriam afectados? A língua portuguesa resistiria ao ataque concertado de dezenas de repórteres exaustos - a misturar metáforas, mutilar lugares-comuns ou a começar cada frase com a palavra "efectivamente"?

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O voluntariado

A voracidade das transformações que as sociedades têm sofrido nos últimos anos exigiu ao legislador que as fosse acompanhando por via de várias alterações profundas à respetiva legislação. Mas há áreas e matérias em que o legislador não o fez e o respetivo enquadramento legal está manifestamente desfasado da realidade atual. Uma dessas áreas é a do voluntariado. A lei publicada em 1998 é a mesma ao longo destes 20 anos, estando assim obsoleta perante a realidade atual.