Para pensar a arte segundo Joseph Beuys

BEUYS Andres Veiel

O mínimo que se pode dizer da arte do alemão Joseph Beuys (1921-1986) é que não pode ser reduzida a um conjunto de obras para expor em qualquer espaço tradicional...

As suas esculturas ou instalações envolveram sempre modos muito particulares, poéticos e provocatórios, de ocupação dos lugares, fossem eles institucionais ou do espaço público.

O documentário de Andres Veiel distingue-se, justamente, pela capacidade de nos conduzir no interior desse universo em que o gesto criativo se confunde com o discurso político, no limite, apostando em discutir as formas tradicionais de fazer política.

A coleção de materiais de arquivo - incluindo algumas surpreendentes entrevistas televisivas - é tratada com especial cuidado, funcionando como um verdadeiro roteiro biográfico e, de alguma maneira, autobiográfico.

Classificação: *** bom

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Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.