Para onde vamos? De onde vimos? Mais respostas de Mallick

Cada vez mais existencialista, sempre poeta do cinema do desassossego, Terrence Malick apresentou Knight of Cups. A competição está ao rubro na Berlinale

Nem tanto ao céu nem tanto ao inferno. Knight of Cups, da fase recente e ativa de Terrence Malick, não está ao nível do brilhantismo de A Árvore da Vida mas é um passo em frente no que toca ao impasse do anterior, To the Wonder/A Essência do Amor. Aliás, é uma súmula em sentido não figurado do estilo e das obsessões de ambas as obras. A história de um argumentista de Hollywood em busca de um sentido da vida nos seus 30 anos de vida, depois da morte de um dos irmãos e de várias relações falhadas. Trata-se de um exame à vaidade humana de um indivíduo que poderá simbolizar a Hollywood de todas as superficialidades tontas e egoísmos. Conto de corrupção moral? Sem dúvida, Malick encena um quadro existencialista bafejado pela procura do sentido da vida. O herói caído de um Christian Bale que pouco dialoga (só em voz-off) procura uma redenção amorosa no sentido mais literal da palavra. Pelo meio, é tentado pelo sexo, pela vulgaridade e pelo ópio do poder.

Natalie Portman, na conferência de imprensa, confessou que teve mais sessões a gravar voz do que a filmar. De referir que, como sempre se passa com Malick, o fecho da montagem demorou anos a ficar concluído. Além de Portman, as musas do cavaleiro do título incluem algumas das atrizes mais belas destes tempos. A saber: Cate Blanchett, Teresa Palmer, Imogen Poots, Freida Pinto ou Isabel Lucas. Provavelmente tudo um enorme paradigma de uma demandade beleza e e todas elas com a steady camera do mago Emmanuel Lubezeki sempre a dançar centímetros colada aos corpos com a habitual "marca registada" de Malick. Knight of Cups faz algo no plano do divino: enceta um jogo de telepatia com as personagens que passa para o lado de cá do ecrã. Não é novo no cinema do cineasta recluso (claro que não pôs os pés em Berlim...), mas nesta altura Malick não está muito interessado em novidades. Prefere antes explorar temas que começou a investigar em A Árvore da Vida. Já agora, quem sabe, como quem não quer a coisa, pode estar aqui a verdade absoluta da vida. Como quem não quer a coisa...

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