"Os Sete Magníficos" sem truques digitais

O filme de abertura do festival de Toronto teve o glam de estrelas como Denzel Washington e Chris Pratt. Estreia-se entre nós dia 22

Uma gala de abertura com um western com pretenções de blockbuster. O festival muda de tom em relação ao ano passado, em que abriu com um drama "delicado", Demolição, de Jean-Marc Valée, um falhanço comercial. Este ano a ideia é entreter e abrir o festival com um êxito seguro. E não haja dúvidas: Os Sete Magníficos, de Antoine Fuqua, será um sucesso de Hollywood evidente.

A melhor notícia é que cumpre bem a sua intenção: um entretenimento eficaz e com uma pedalada interessante.

Fuqua reúne um elenco com carisma, composto por estrelas como Denzel Washington, Ethan Hawke e Christ Pratt, e segue o filme original de John Sturges de 1960 (até parte da música é igual), que por sua vez já era uma versão de Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa (1954). A recriação do espírito da história parece justa e honesta, mesmo se descontarmos todo o aparato de grande produção e afeição pelos efeitos bélicos.

O que vai deixar muita gente surpreendida é a ausência de efeitos visuais digitais e da piruetas fantasiosas que poderiam estar no caderno de encargos de uma modernização do chamado "western clássico". Este remake é moderadamente humorado e quase sempre pragmático. Por outras palavras, vai direto à nostalgia de uma "cowboiada" onde os maus são mesmo maus e os "bons" apenas bons malandros. Um puro recreio onde se reclama alguma puerilidade de género e onde ainda se consegue criar verdadeira tensão nos duelos.

Outra surpresa: os atores têm espaço para construir personagens. Ethan Hawke consegue convocar alguma ambiguidade no seu pistoleiro e Denzel Washington tem um divertido ar altivo, mas é Chris Pratt quem rouba todas as cenas. Claro que não nos matam as saudades de Steve McQueen ou Yul Breyner mas fazem pela vida. O bónus é mesmo o vilão de serviço, interpretado com um gozo quase decadente por Peter Sarsgaard, visto recentemente em Experimenter: Stanley Milgram, o Psicólogo Que Abalou a América, de Michael Almeyreda. Uma interpretação que nos lembra que é um dos grandes atores americanos da sua geração.

Em Toronto

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