Os mergulhos digitais de Scarlett

Ghost in The Shell- A Agente do Futuro, Robert Sanders

Blade Runner cruzado com Matrix. Esse é o ingrediente principal desta adaptação ao clássico anime com o mesmo nome. Rupert Sanders não é patrono de nenhuma abordagem inovadora a este universo. Sanders e o seu batalhão de criadores de décors limitam-se a ser respeitadores do imaginário em questão, coisa certinha e obediente, portanto...


Scarlett Johansson é uma agente futurista numa Tóquio quase controlada por uma empresa de segurança cibernética. Aos poucos, começa a ter problemas com as memórias do seu passado humano (na verdade, o seu corpo é todo sintético, à exceção do seu cérebro). O filme torna-se sempre mais interessante quando desperta um vislumbre de tendência cyber-punk, embora nunca tenha coragem de ir longe. Sobra um produto bem confecionado e com ideias de coreografia de cenas de pancadaria a lembrar um bailado saído da cabeça de Bjork...


Classificação: ***

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Legalização da canábis, um debate sóbrio 

O debate público em Portugal sobre a legalização da canábis é frequentemente tratado com displicência. Uns arrumam rapidamente o assunto como irrelevante; outros acusam os proponentes de usarem o tema como mera bandeira política. Tais atitudes fazem pouco sentido, por dois motivos. Primeiro, a discussão sobre o enquadramento legal da canábis está hoje em curso em vários pontos do mundo, não faltando bons motivos para tal. Segundo, Portugal tem bons motivos e está em boas condições para fazer esse caminho. Resta saber se há vontade.

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A criança puxa a mãe pela manga na direcção do corredor dos brinquedos. - Olha, mamã! Anda por aqui, anda! A mãe resiste. - Primeiro vamos ao pão, depois logo se vê... - Mas, oh, mamã! A senhora veste roupas cansadas e sapatos com gelhas e calos, as mãos são de empregada de limpeza ou operária, o rosto é um retrato de tristeza. Olho para o cesto das compras e vejo latas de atum, um quilo de arroz e dois pacotes de leite, tudo de marca branca. A menina deixa-se levar contrariada, os olhos fixados nas cores e nos brilhos que se afastam. - Depois vamos, não vamos, mamã? - Depois logo se vê, filhinha, depois logo se vê...