Os dias dos prodígios para Mário Cláudio na Escritaria

A literatura volta a ocupar a cidade, com lançamento de um romance inédito do escritor

Há pêssegos, couves e castanhas dentro das caixas da mercearia localizada na rua que desemboca no Largo da Nossa Senhora da Ajuda, onde uma placa bem visível anuncia Afixação Proibida. Ora é neste largo que muito da Escritaria, a festa da Literatura de Penafiel, acontece e por isso são poucos os que obedecem ao cartaz proibitivo aparafusado à parede da igreja nestes dias em que o escritor Mário Cláudio é o homenageado da 8.ª edição da iniciativa.

De quinta-feira até hoje, dia em que encerra a Escritaria, Mário Cláudio já por lá passou vezes incontáveis e viu o largo repleto de cartazes, faixas, caixotes de papelão com a reprodução do seu rosto e uma parte do texto do seu novo romance, lançado oficialmente na sexta-feira à noite naquela cidade. Inaugurou arte urbana, uma exposição sobre a sua vida em quadros e várias sobre a sua obra. Quem for curioso deve observar com atenção os cadernos Moleskine em que anota ideias para os livros porque perceberá melhor o processo de criação. Também poderá descobrir uma ou outra indiscrição que tenha anotado nos cadernos além das questões da construção da narrativa.

Se for mesmo curioso, o leitor tem a garantia de sair desta Escritaria a saber muito mais sobre o escritor Mário Cláudio, já que este fez questão de aceitar responder a tudo o que os leitores queriam saber. Foi assim nos múltiplos contactos de rua, bem como na apresentação de Astronomia, o tal novo romance, que é tão autobiográfico como mentiroso, porque assim foi descrito: "Um recetáculo de confissões e muitas mentiras." Esta palavra é de autoria do próprio, porque acha que escreveu muitas coisas no romance que podem vir de memórias falsas e não do que viveu exatamente ou reproduziu em centenas de páginas. Também não deixou de contar as razões das suas "cóleras homéricas" quando contrariado, nem de apontar o mau hálito como termómetro de se estar ou não apaixonado.

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