Os belos 83 anos de Shirley MacLaine

IN MEMORIAM Mark Pellington

Na última cerimónia dos Óscares, Charlize Theron homenageou Shirley MacLaine falando da sua personagem em O Apartamento (1960), de Billy Wilder. Um papel marcado pela doçura do seu olhar, tal como em Deus Sabe Quanto Amei (1958), ao lado de Frank Sinatra. Neste In Memoriam, contudo, a MacLaine que encontramos é mais próxima da mulher difícil de Laços de Ternura (1983), o filme que lhe valeu o único Óscar

E se ela é verdadeiramente a razão de ser da narrativa caricata, sobre uma mulher obsessiva que quer supervisionar a escrita prévia do seu obituário, não há muito mais que jogue em favor... Aqui tudo é fabricado para o humor e a lágrima confortáveis. Amanda Syefried, a rapariga que escreve obituários, é uma boa companheira de ecrã, mas nada tem mais vitalidade do que o rosto de 83 anos de MacLaine, a trazer nostalgia ao som dos The Kinks.

Classificação: **

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.