Open House volta a 23 e 24 de setembro. E há novos espaços para ver

MAAT - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia

A Open House regressa a 23 e 24 de setembro para mostrar cerca de 70 locais de Lisboa. As arquitetas Rita e Catarina Almada Negreiros são as comissárias

Uma casa na Lapa, em Lisboa, anónima, recebe a conferência de apresentação do Open House, lembrando uma das características deste evento: abrir portas geralmente fechadas de edifícios de Lisboa. Muitos são públicos, muitos são privados. De grandes ou pequenas dimensões. Como há um ano, vão "rondar os 70", informou José Mateus, presidente da Trienal de Arquitetura, a associação que, desde 2012, tem realizado em Lisboa estas visitas. "Não temos capacidade para mais".

Uma casa em Alfama que poderá ser visitada durante o Open House

A edição deste ano, a sexta, terá duas comissárias, Rita e Catarina Almada Negreiros. É uma novidade. "Além de ter esgotado a minha imaginação, há gente muito competente. São arquitetas que estudam, desenham e conhecem profundamente a cidade", salientou José Mateus, explicando esta passagem de testemunho.

Catarina e Rita Almada Negreiros

Quatro ideias base ressaltam da apresentação feita ontem de manhã e hão de servir de ponto de partida à seleção de locais das duas comissárias, segundo o texto de apresentação do projeto: Recuperar e descobrir novos usos para os seus espaços, criar novos equipamentos que respondem às novas exigências da cidade, procurar novos centros, dar resposta à imensa procura turística.

A lista completa será conhecida no início de setembro, para já estão garantidas a ETAR de Alcântara, uma infraestrutura "de interesse arquitetónico" que a própria arquiteta Catarina Almada Negreiros quer conhecer, uma casa em Alfama e o palácio de Santa Catarina, agora hotel, a inaugurar no verão após anos de conflito burocrático. "Vai ser curioso ver o que aconteceu àquele edifício tanto tempo fechado", comenta Rita Almada Negreiros.

Outros (poucos) locais ontem revelados, que já antecipam essa atenção das curadoras a centros fora do centro e à reabilitação da cidade. É o caso das novas instalações da escola AR.CO, em Xabregas, que pela primeira vez faz parte do programa, é o resultado da nova centralidade que se está a criar nesta zona. O Intendente também está na lista destes novos centros, segundo Catarina Almada Negreiros.

Entre as novidades estão, também, o espaço de coworking Second Home (no Mercado da Ribeira), o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT e o pequeno hotel Santa Clara 1728, assinado pelos irmãos Aires Mateus, como "exemplo de reabilitação". Rita Almada Negreiros, que, com a irmã, faz o atelier Can Ran, fala do aumento de turistas como umas das temáticas que podem sobressair das escolhas das duas comissárias, netas do pintor Almada Negreiros, inspiradas pelos mapas de Roma a partir dos pisos térreos, de Bufalini (1551) e Gianbatista Nolli (1748).

"Tornou-se também inevitável que o nosso mapa contivesse espaços que gostaríamos de não perder; alguns espaços ou edifícios que estão sob ameaça de não resistirem ao impacto das forças de mercado; uma forma que anima, constrói, recicla, mas também destrói. Uma transformação da cidade demasiado rápida pode levar a uma perda de lugares, habitantes e, no fim, identidade. Esta será a parte do mapa onde estarão representados os tesouros que não gostaríamos efémeros", refere Catarina. Que locais são esses? Rita concretiza: "O Museu de Geologia, por exemplo, que muitas pessoas não conhecem. A biblioteca do antigo convento de Santa Catarina."

Pormenor do hotel Santa Clara 1728, dos Aires Mateus

Da lista apresentada anualmente há edifícios e espaços quase obrigatórios como o Aqueduto das Águas Livres ou a Gulbenkian. Este ano, a Ponte 25 de abril, esgotada há um ano, fica de fora, porque deixaram de ser permitidas visitas por motivos de segurança, explicou Manuel Henriques, director adjunto da Trienal.

A organização calcula que entre 30 e 50% do total dos edifícios que farão parte da programação serão novos, à semelhança do que aconteceu nas últimas edições.

O Open House realiza-se de novo em setembro, depois de há um ano, coincidindo com a Trienal de Arquitetura, o evento ter sido antecipado para julho. "Já testamos antes do verão e depois. As pessoas gostam de ir para a praia. A reação do público é completamente diferente", concede o arquiteto.

Com cerca de 20 mil entradas por edição e 79 377 visitantes desde 2012, Mateus fez questão de dizer que os números não são preocupação. "Alguns espaços fantásticos são muito reduzidos. A nós interessam-nos não tanto os números, mas que a escolha seja a mais rica e pedagógica, porque queremos que as arquitetas escolham livremente". Mais uma vez, a seleção contempla visitas a casas particulares, geralmente com um número muito restrito de visitantes e a horas muito específicas. Alguns edifícios públicos, abertos habitualmente, valem pelo quebrar de timidez.

O programa contempla visitas livre, sem acompanhamento dentro do horário indicado, visitas acompanhadas pela equipa de voluntários, e visitas comentadas, pelo autor do projeto ou por um especialista convidado.

A partir de hoje, e a partir do site da Open House, todos podem fazer sugestões de lugares a visitar, preenchendo um formulário no site da Open House. A Trienal também está aberta a projetos independentes e autofinanciandos ligados à arquitetura, arquitetura paisagista e urbanismo para integrar o programa paralelo da Open House.

A EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Atividades Culturais é, desde 2013, parceira do evento Open House desde 2015, integra pelo menos dois equipamento no roteiro, o Convento das Bernardas, atual Museu das Marionetas, e o atelier-museu Júlio Pomar, "um dos exemplos de reabilitação", notou a presidente da empresa municipal, Joana Gomes Cardoso, anunciando que a Casa Fernando Pessoa também será alvo de uma nova intervenção arquitetónica.

Numa curta apresentação, a presidente da EGEAC lembrou que o Open House "é feito por arquitetos mas não para arquitetos". "É para o público", resume, realçando que um evento como este se mostra outro lado de Lisboa. "Que não sejam apenas operadores turísticos a dar essa visibilidade da cidade".

O evento começou em Londres em 1992 e a ideia pulverizou-se para outras cidades, como Nova Iorque, Barcelona, Oslo, Helsínquia, Jerusalém, Dublin, Roma ou Chicago. Há dois anos estreou-se no Porto, também com a Trienal de Arquitetura. Este ano, fica nas mãos da Casa da Arquitetura, e realiza-se a 1 e 2 de julho.

Open House acontece uma semana antes das eleições autárquicas. "Nem nos passou pela cabeça essa sobreposição", comentou José Mateus, lembrado do calendário.

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