Open House: Ver o Porto a 360 graus (e não só)

A arquitetura volta a abrir as portas: Porto, Gaia e Matosinhos recebem a terceira edição do Open House. O roteiro tem visitas gratuitas e 60 espaços para visitar neste primeiro fim de semana de julho. Um deles é a Torre da PT. A entrada é gratuita, mas para a garantir o melhor é chegar cedo

Três cidades, um território e a arquitetura como casa de portas abertas a toda a população para visitas gratuitas em mais de 60 espaços: de edifícios icónicos como a Casa da Música, Serralves ou o Terminal de Cruzeiros a espaços mais ou menos inusitados como uma ilha (bairro operário com apenas uma entrada à face da rua) de São Vítor ou o novecentista Cemitério Prado do Repouso. Ao longo deste fim de semana, Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos acolhem a terceira edição do Open House, a primeira organizada em exclusivo pela Casa da Arquitetura. A iniciativa cresceu em número de espaços a visitar, depois dos 42 em 2015 e 51 em 2016, e este ano espera bater um recorde de visitantes.

Entre as experiências mais aguardadas desta edição está a possibilidade de o visitante poder subir à torre de telecomunicações da PT e ter uma vista de 360 graus sobre a grande metrópole, numa oportunidade inédita para o grande público. No Monte da Virgem, junto ao centro de produção da RTP, a torre de betão domina a paisagem com uma altura de 125 metros da base até à plataforma (aos quais se acresce mais 52 metros de estrutura metálica da antena), numa altitude de 312,5 metros acima do nível do mar, o que torna esta infraestrutura num miradouro privilegiado para uma vista panorâmica sobre todo o Grande Porto. Únicos entraves: apenas são permitidos dez visitantes de cada vez e será possível visitar a torre apenas este sábado.

Apesar desta grande novidade, o Open House Porto tem vários pontos de interesse para visitar sábado e/ou domingo (veja a disponibilidade em www.openhouseporto.com), entre as seis dezenas de opções deste ano. Desde logo, a possibilidade de conhecer em primeira mão a Casa da Arquitetura, que só abrirá portas em novembro deste ano. Nuno Sampaio, diretor executivo do espaço adquirido e requalificado pela autarquia de Matosinhos, destacou na apresentação do Open House, que decorreu precisamente no edifício ainda inacabado, a "ambiciosa reconversão do primeiro quarteirão industrial de Matosinhos Sul em espaço cultural".

Os arquitetos Paula Santos e Ivo Poças Martins, comissários deste ano do Open House Porto, salientam precisamente a diversidade de espaços a visitar: "Optámos por não escolher obras especificamente destinadas ao turismo e sobretudo fora do Centro Histórico do Porto; e conseguimos apresentar exemplos de várias leituras de arquitetura: de edifícios notáveis como o Hospital Conde de Ferreira ou a Quinta da Prelada, projetada por Nicolau Nasoni e recentemente remodelada, até outros com uma arquitetura bem mais contemporânea como o I3S", afirmou Paula Santos, com Poças Martins a acrescentar a importância de "misturar obras de pequena escala com edifícios e infraestruturas de grandes dimensões".

Inaugurado em maio de 2016, o I3S, maior instituto de investigação português na área das Ciências da Saúde, foi projetado pelo ateliê Serôdio e Furtado. O edifício surpreendente nas linhas e nos materiais é outra das novidades desta edição. O autor, João Pedro Serôdio, salientou a funcionalidade desta obra de betão e blocos de cimento acústico, "que permite a articulação de três grandes laboratórios como se fossem um só" através de uma "geometria relação equilibrada com a envolvente".

Noutro plano mas também integrado no programa do Open House estão intervenções mais pequenas, como o 1930 City Lodge de Ren Ito. Este arquiteto japonês que chegou a Portugal em 2004 para estagiar no ateliê de Siza Vieira e ficou até hoje. Nesta intervenção transformou um prédio em Costa Cabral num alojamento local com cinco quartos, receção e sala de refeições correspondendo ao "desafio de um casal que queria aproveitar o edifício para criar o seu próprio emprego".

De grandes infraestruturas que se tornam ex-líbris das cidades a intervenções micro na comunidade. Este é o espírito do Open House, criado em Londres há 25 anos por Victoria Thornton, num conceito que se espalhou por 36 cidades de cinco continentes.

"O objetivo é criar um diálogo entre a arquitetura da cidade e a comunidade, através de um evento democrático e inclusivo. Com esta ideia simples conseguimos criar um fenómeno global com cariz e influência local", salientou a mentora e fundadora na apresentação da versão portuense desta iniciativa que em setembro se realiza em Lisboa.

Open House Porto

Hoje e amanhã Grátis

www.openhouseporto.com

Exclusivos