Obra "Presos Políticos" censurada na ARCO vendida por quase cem mil euros

Peça de Santiago Sierra, que entre as 24 fotos pixelizadas inclui a do ex-vice-presidente do governo catalão Oriol Junqueras, foi retirada da feira de arte a pedido da direção da Ifema

Um particular espanhol terá comprado por quase cem mil euros a obra de arte "Presos políticos", de Santiago Sierra, que foi retirada da edição deste ano da feira de arte contemporânea ARCO. A obra inclui 24 fotos pixelizadas, entre as quais a do ex-vice-presidente do governo catalão, Oriol Junqueras, e dos líderes das associações independentistas Jordi Sànchez e Jordi Cuixart.

A exposição de fotografias "Presos Políticos na Espanha Contemporânea" foi retirada da ARCO, em Madrid, pela organização da feira de arte, Ifema, que considerou que a polémica "prejudica" as restantes obras.

O autor, o artista espanhol Santiago Sierra, já criticou a decisão, que classificou como "censura" e que disse "prejudicar seriamente a imagem da feira internacional e do próprio Estado espanhol".

Além disso, Sierra, que em 2010 rejeitou o Prémio Nacional de Artes Plásticas afirmando-se como um "artista sério", considerou tratar-se também de uma "falta de respeito" para com a galerista, Helga de Alvear, a quem o Ifema, recinto onde decorre a ARCO, pediu que retirasse a obra do seu 'stand'.

"Atos deste tipo dão sentido e razão a uma peça como esta, que precisamente denunciava o clima de perseguição que estão a sofrer os trabalhadores culturais nos últimos tempos", afirma o artista, num comunicado enviado à agência de notícias espanhola, Efe.

A peça estava exposta na galeria Helga de Alvear com um preço de 80 mil euros, mas o preço final, com IVA, chega aos 96 mil euros, segundo o jornal ABC. A obra terá sido vendida através da intermediação de uma galeria catalã, que tinha mostrado interesse na peça em nome de um particular. Na feira, são vendidos folhetos que reproduzem as imagens retiradas, a dez euros cada.

A galerista assegurou aos media espanhóis que, na sua opinião, não se trata de um caso de censura e que aceitou retirar a obra porque quer estar na feira de arte contemporânea no próximo ano. "Entendo perfeitamente. Estou em casa alheia e se a Ifema não quer a obra ali, então tiro-a", afirmou.

O diretor da ARCO, Carlos Urroz, disse que a decisão veio da presidência de Ifema. "Não me parece que fosse preciso tomar esta decisão", indicou, qualificando-a de "ideia muito má".

O secretário de Estado da Cultura espanhol rejeitou hoje a existência de presos políticos em Espanha e considerou que a retirada da obra pode ter-se devido a uma questão "conceptual".

"Não vi a obra mas tem o título de 'presos políticos', e se há fotografias de pessoas que não são presos políticos, faz pensar que conceptualmente a obra não estava ajustada e a decisão de a retira foi um critério artístico", disse Fernando Benzo, à chegada à feira de arte.

O governante sublinhou ainda que nem o Governo de Madrid nem a administração geral do Estado têm qualquer interferência na ARCO.

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