"Obélix não precisa de engordar"

O ilustrador Albert Uderzo fala da passagem de testemunho

Gostou deste álbum do Astérix?

Sim, posso dizer que me deu muito prazer. Acredito sinceramente que os leitores habituais do Astérix vão ser da mesma opinião. Não o diria se não o pensasse, pois eu sou muito prudente de cada vez que sai um álbum e não se chegaria a 36 títulos por acaso.

O primeiro desta equipa já foi um sucesso.

Sim, e nem esperava que houvesse uma segunda fase para o Astérix. Considerava que os leitores não iriam gostar de nos ver substituídos e isso fez que demorasse a decidir-me pelo que veio a acontecer. Mas estou descansado com Ferri e Conrad e os leitores ficaram satisfeitos por poder continuar a ler Astérix. Eles trabalham de uma maneira extraordinária, o que me dá confiança.

Porque deixou de o fazer?

Decidi parar porque estava a ficar com uma idade em que o entusiasmo vai faltando. Decidi parar há uns cinco anos por questões pessoais. Trabalhei a vida toda, sacrifiquei a família e quero aproveitar a vida enquanto posso. Com um emprego destes, a vida passa num instante.

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Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...