O que dizem os números da série de que se fala

A exibição na TV começou com quase 5 milhões de espectadores, terminou com quase 2. Será um êxito de redes sociais?

La Casa de Papel, apresentada como um original Netflix, é, na verdade, uma produção da Atresmedia e Vancouver Media para a Antena 3, que depois de chegar à plataforma de distribuição de televisão em streaming em dezembro alcançou uma plateia muito mais vasta. França, Itália, Portugal, América Latina...

Durante seis semanas, a partir de janeiro, foi uma das mais votadas pelos espectadores na aplicação TV Time no ranking de formatos prediletos na categoria de binge watching, convertendo-se naquilo a que o El País chama de "inesperado êxito internacional" (29 de março). A que números corresponde esta votação? Não se sabe. A Netflix não divulga estes dados e não há medição oficial.

Quantas pessoas estão neste momento a ver La Casa de Papel e quantas o estão a fazer neste modo bulímico? E quantos deles em Portugal? "Não são dados que a empresa divulgue", respondeu a representação da Netflix ao DN.

Os números globais, relativos ao último trimestre de 2017, divulgados pela empresa, falam em 117,5 milhões de membros. Em Portugal, os números rondarão os 100 mil subscritores, apurou o DN junto de fonte ligada ao setor. E, para haver ponto de comparação, pode dizer-se que uma novela que passe numa estação em sinal aberto, em horário nobre, supera o milhão de espectadores.

Será, pois, La Casa de Papel mais um trending topic do Twitter do que um êxito de audiências? Terá mais sucesso do que aquele que granjeia com as recomendações do futebolista Neymar ou episódios de youtubers brasileiros, como relatou o diário espanhol ABC? Será suficiente citar Álvaro Morte, El Profesor, dizendo que o seu número de seguidores no Instagram disparou desde que a série passou a ter distribuição mundial.

Será mais do que uma mania o que levou os brasileiros a usarem fatos-de-macaco encarnados e máscaras de Dalí no Carnaval do Rio? Que inspirou graffiti na Argentina e no Brasil, como diz Álex Pina? Ou um novo conjunto de T-shirts da portuguesa Cão Azul? E a que corresponde em concreto ser a 22.ª série mais popular segundo o IMDB, à frente de The End of the F****** World, How to make a Murder, Teoria do Big Bang ou The Crown?

O guionista Álex Pina dá a sua justificação. "La Casa de Papel no Netflix permite uma leitura muito clara de como se consome televisão agora, por oposição aos meios tradicionais, com publicidade e um episódio de uma semana para a outra. Os espectadores querem ver os episódios das séries viciantes um atrás do outro e quando querem." Porque o seu percurso foi bem mais discreto quando passou em sinal aberto na televisão espanhola.

Parte 2 com menos audiência

La Casa de Papel estreou-se a 2 de maio de 2017 de forma auspiciosa com cerca de 4,9 milhões de espectadores, de acordo com os dados da espanhola Kantar Media. "Pode ser o efeito Antena 3. As estreias costumam ser boas", analisa Micaella Freitas, consultora de audiências e programação de televisão da empresa espanhola GECA.

Os primeiros nove episódios foram emitidos todas as terças-feiras, em horário nobre , a partir das 22.15, até 27 de junho, com uma média de 2,6 milhões do outro lado do ecrã.

O número está acima do share habitual da estação Antena 3, mas no 9.º episódio já estava com 14,7% de share. No verão, a série fez uma pausa. "Quando voltaram não tiveram um começo assim tão forte", explica Micaella Freitas ao DN.

O regresso, a 16 de outubro, começou nos 12,9% e encolheu até aos cerca de 10%. O sexto e último episódio desta segunda parte, emitido a 23 de novembro de 2017, contrariou a tendência e ficou nos 12,1%, isto é, cerca de 1,8 milhões de espectadores. A série passou a ser exibida às segundas-feiras e depois às quintas-feiras. "Uma série de êxito chega aos 19,5% [cerca de 3,88 milhões de espectadores], compara Micaella Freitas dando como exemplo a série Fariña, atualmente em exibição na mesma Antena 3.

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