O pássaro de Calatrava tem dificuldade em levantar voo

A central de transportes do World Trade Center é inaugurada no final de 2015 após dez anos de obras e 3,5 mil milhões de euros gastos. Arquiteto diz que será "um ícone" da cidade.

O arquiteto espanhol Santiago Calatrava projetou a nova central de transportes do World Trade Center, em Nova Iorque, como um enorme pássaro cujas asas se suspendem no ar, como se estivesse prestes a voar. Será, certamente, mais uma das suas estações a conquistar um lugar de destaque entre as mais imponentes obras de arquitetura do mundo. Mas o projeto, iniciado há dez anos e que, se tudo correr bem, será inaugurado em dezembro próximo, seis anos depois da data inicialmente prevista, entrará para a história também por esta estação de comboios estar entre as mais caras e cuja construção mais se atrasaram. O custo final ronda os 4 mil milhões de dólares (3,5 mil milhões de euros), o dobro do inicialmente previsto.

Mas as críticas à central não se ficam por aqui. Hoje em dia, é quase unânime que se trata de uma obra megalómana. Steve Cuozzo, o crítico de arquitetura do The New York Post, arrasa o projeto desde o seu início. Já em 2009 alertava para o facto de o hall da nova estação ser muito maior do que a Central Station e de todo o projeto ser "um enorme desperdício do precioso terreno do Ground Zero, assim como de dinheiro e energia". E, no ano passado, brincava com o design do edifício chamando-lhe não um pássaro mas um "calatrasauros" (junção de Calatrava com dinossauro) devido ao seu tamanho monstruoso, com "umas asas assustadoras", fazendo lembrar "os mutantes dos filmes de ficção científica dos anos 1950".

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