O monte Evereste e a montanha de Salaviza estão no Lido

A 72.ª edição volta a apostar no compromisso do cinema mais mediático com as propostas mais arriscadas. É isso que torna esta edição numa estimulante maratona de cinema

Um arranque em 3D com pompa de acontecimento. O Festival de Veneza abre com uma aposta no cinema de grande espetáculo de Hollywood. Everest, de Baltasar Kormákur, seta ambiciosa do estúdio Universal para a boxoffice americana. Passa fora de competição e aqui pelo Lido há a expectativa para ver as estrelas do elenco, em especial Jake Gyllenhaal, um ator que parece estar a melhorar com a idade. A abertura do festival contará também com o brilho de Josh Brolin, Emily Watson, Jason Clarke e Keira Knightley. O chamado star power numa sessão de gala que certamente é um sinal de Alberto Barbera, o diretor da Mostra, para voltar a conseguir o melhor de Hollywood e colocar em sentido o festival rival, Toronto.

Everest é baseado em duas expedições afetadas por um dos mais famosos desastres de alpinismo de que há memórias no Monte Everest, em 1996. Regresso ao cinema de catástrofe natural com a caução da "história verdadeira". A narrativa acompanha a luta pela sobrevivência num dos locais mais perigosos do planeta, dando-nos, em paralelo, as reações das famílias dos elementos da expedição. O facto desta produção estar fora de competição é prova de que Veneza quis começar o festival com algo mais acessível e espetacular, sobretudo num ano em que a competição se vira para obras com pendor mais radical.

Uma competição recheada de nomes consagrados: Aleksandr Sokurov foi ao Louvre filmar Francofonia; Marco Bellochio foi a Bobbio filmar Sangue del Mio Sangue, alegoria coral; Jerzy Skolimowki tem pronto 11 Minutes, onde diversas personagens se cruzam numa história onde cada tem um apontamento de...11 minutos; e Atom Egoyan, de novo às voltas com questões de vingança em Remember, com os veteranos Martin Landau e Christopher Plummer.

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