O Homem Duplicado de José Samarago será peça de teatro em Espanha

A encenação é assinada por José Martret a partir de um texto adaptado de Félix Ortiz e Salvador Toscano.

O romance O homem Duplicado, do escritor português José Saramago, terá uma adaptação para teatro a estrear-se ainda este ano em Espanha, revelou a Fundação José Saramago.

Ainda sem data oficial de estreia, a peça será levada à cena pela produtora DD & Company no Centro de Arte, Cultura e Turismo de Lanzarote, uma das ilhas do arquipélago das Canárias e onde viveu José Saramago.

De acordo com o Diário de Lanzarote, a encenação é assinada por José Martret a partir de um texto adaptado de Félix Ortiz e Salvador Toscano.

Publicado em 2002, o romance O Homem Duplicado é protagonizado por Tertuliano Máximo Afonso, um professor de História em dúvida sobre a própria identidade depois de descobrir numa gravação de vídeo um homem idêntico a ele.

Na altura, a edição teve uma primeira tiragem de 80 mil exemplares, coincidindo com o 80º aniversário do escritor, distinguido com o Nobel da Literatura em 1998.

O Homem Duplicado está publicado em vários países, entre os quais Brasil, Espanha, Colômbia, Albânia e Itália, e já foi adaptado para cinema, em 2014 pelo realizador canadiano Denis Villeneuve e com o ator Jake Gyllenhaal no principal papel.

A obra literária de José Saramago já teve várias adaptações tanto para cinema como para teatro. São os casos, por exemplo, dos filmes "Ensaio sobre a cegueira", de Fernando Meirelles, e Jangada de Pedra, de George Sluizer, e das recentes peças de teatro Claraboia e 1936, o ano da morte de Ricardo Reis, pelo teatro A Barraca.

Depois de O homem duplicado, José Saramago publicou ainda quatro romances: Ensaio sobre a lucidez (2004), As intermitências da morte (2005), A viagem do elefante (2008) e Caim (2009).

José Saramago morreu aos 87 anos a 18 de junho de 2010, tendo sido publicados a título póstumo "Claraboia" (2011), um romance que o autor tinha concluído em 1953, e o romance inacabado "Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas" (2014).

Em Lanzarote, a casa e a biblioteca onde José Saramago passou parte da sua vida, foram transformadas numa "casa-museu" que abriu portas ao público em março de 2011.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)