O festivo regresso do ursinho Paddington

PADDINGTON 2 Paul King

Adaptado dos livros do inglês Michael Bond (1926-2017), o filme Paddington, lançado em 2014, era um brilhante exemplo de cinema de fábula, inteligentemente ligado ao imaginário dos animais que falam, além do mais testemunhando a sofisticação técnica de que os estúdios britânicos são capazes.

O menos que se pode dizer da sequela é que mantém todos esses padrões, sabendo prolongar a história do ursinho Paddington, agora já perfeitamente integrado na família Brown que o acolheu e, mais do que isso, no respetivo bairro.

Ben Whishaw volta a dar voz a Paddington, regressando também Sally Hawkins, Hugh Bonneville e Julie Walters. De qualquer modo, o destaque vai para o misto de exuberância e auto-ironia com que Hugh Grant interpreta o mau da fita, emprestando novos significados ao cor-de-rosa...

Classificação:. **** muito bom

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DN+ João

Os floristas da Rua da Alegria, no Porto, receberam uma encomenda de cravos vermelhos para o dia seguinte e não havia cravos vermelhos. Pediram para que lhes enviassem alguns do Montijo, onde havia 20, de maneira a estarem no Porto no dia 18 de julho. Assim foi, chegaram no dia marcado. A pessoa que os encomendou foi buscá-los pela manhã. Ela queria-os todos soltos, para que pudessem, assim livres, passar de mão em mão. Quando foi buscar os cravos, os floristas da Rua da Alegria perguntaram-lhe algo parecido com isto: "Desculpe a pergunta, estes cravos são para o funeral do Dr. João Semedo?" A mulher anuiu. Os floristas da Rua da Alegria não aceitaram um cêntimo pelos cravos, os últimos que encontraram, e que tinham mandado vir no dia anterior do Montijo. Nem pensar. Os cravos eram para o Dr. João Semedo e eles queriam oferecê-los, não havia discussão possível. Os cravos que alguns e algumas de nós levámos na mão eram a prenda dos floristas da Rua da Alegria.

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DN+ Quem defende o mar português?

Já Pascal notava que através do "divertimento" (divertissement) os indivíduos deixam-se mergulhar no torpor da futilidade agitada, afastando-se da dura meditação sobre a nossa condição finita e mortal. Com os povos acontece o mesmo. Se a história do presente tiver alguém que a queira e possa escrever no futuro, este pobre país - expropriado de alavancas económicas fundamentais e com escassa capacidade de controlar o seu destino coletivo - transformou 2018 numa espécie de ano do "triunfo dos porcos". São incontáveis as criaturas de mérito duvidoso que através do futebol, ou dos casos de polícia envolvendo tribalismo motorizado ou corrupção de alto nível, ocupam a agenda pública, transformando-se nos sátiros da nossa incapacidade de pensar o que é essencial.