O estafadíssimo fim do mundo

Os Últimos na Terra, Craig Zobel

O marketing dos circuitos mais independentes do cinema americano está cada vez mais feroz na promoção nas redes digitais. Um marketing capaz de fazer do mais banal jovem cineasta numa espécie de novo mestre instantâneo. Uma glorificação que cheira a negócio. O cineasta Craig Zobel, autor do muito celebrado Obediência, de 2012, parece ser um dos desses casos. Chega o "difícil segundo filme" e é vê-los a tombar, como este Z for Zachariah, atropelado no Festival Sundance.


Zobel assina uma história situada num mundo pós-apocalíptico, onde vemos cidades vazias e sem sobreviventes. Sem sobreviventes? Não é bem assim, há uma bela mulher que numa quinta abandonada vive sozinha. Mais tarde, aparece também um homem, alguém que sobreviveu de um ataque que julgamos nuclear. Mais tarde ainda, um outro viajante, também em busca de um local com condições de vida.
A sensação com que se fica é que o filme nunca arranca. Nesse pára-arranca-não-arranca, o espetador fica distraído com a cinegenia de Margott Robbie. Só isso. O filme sempre serve para pensarmos que ela é finalmente uma hipótese de sucessora de Nastassja Kinski.

Classificação: **

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.